Nas últimas semanas, o surto do vírus Nipah na Índia gerou grande preocupação entre as autoridades de saúde pública devido à sua alta taxa de letalidade. Contudo, as autoridades brasileiras se sentiram mais tranquilas com a informação de que o principal vetor desse vírus são os morcegos do gênero Pteropus, que não existem no Brasil. Além disso, a transmissão do vírus entre pessoas é relativamente baixa.
Os morcegos conhecidos como “raposas-voadoras” são os maiores do mundo, com uma envergadura que pode ultrapassar 1,80 m, medida da ponta de uma asa até a outra. Apesar do seu tamanho impressionante, eles se alimentam quase que exclusivamente de frutas, néctar e pólen.
O biólogo Roberto Leonan M. Novaes, doutor em Biodiversidade e Biologia Evolutiva pela UFRJ e pesquisador da Fiocruz, explicou que, ao contrário dos morcegos encontrados no Brasil, as raposas-voadoras possuem boa visão e estão ativas até mesmo durante o dia. Ele afirmou que esses animais são nativos do Sudeste da Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões da África, o que significa que não há risco de eles chegarem ao Brasil.
A principal forma de transmissão do vírus Nipah se dá pela ingestão de alimentos que foram contaminados pelas secreções dos morcegos. Embora a doença possa ser transmitida de uma pessoa para outra por meio de secreções infectadas, essa situação é mais rara, o que diminui as chances de que o vírus cause uma nova pandemia.
Neste ano, foram registrados cinco casos confirmados da doença na Índia. Após esses casos, mais de 100 pessoas que tiveram contato com os pacientes foram testadas, mas todos apresentaram resultados negativos e foram colocados em quarentena como medida de precaução. Para evitar a propagação do vírus, diversos aeroportos em países da Ásia começaram a implementar medidas de fiscalização sanitária.

