Após sua liberação da prisão em 2009, Jeffrey Epstein fez transferências bancárias que totalizaram milhares de libras para Reinaldo Avila da Silva, marido de Peter Mandelson, conforme revelam e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Esses novos documentos levantam questionamentos sobre a relação entre Epstein e Mandelson, que já havia sido destituído do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington após a divulgação de seu apoio ao financista.
Os e-mails mostram que da Silva contatou Epstein no dia 7 de setembro de 2009, pouco tempo após a liberação de Epstein, que havia cumprido 13 meses de uma pena de 18 meses por solicitação de prostituição de menor, sendo registrado como sex offender. Na época, Mandelson ocupava o cargo de secretário de Negócios e estava em um relacionamento com da Silva, com quem se casou em 2023, após 27 anos juntos.
Na mensagem, da Silva pediu a Epstein ajuda financeira para custear um curso de osteopatia, mencionando despesas como taxas, modelos anatômicos e um laptop. Ele informou a Epstein que a taxa anual do curso era de £3.225 e compartilhou os detalhes da conta bancária para a transferência.
No mesmo dia, Epstein confirmou que faria a transferência. No dia seguinte, da Silva questionou sobre um pagamento de £10.000, que estava relacionado às suas taxas escolares. Epstein respondeu que o valor estava incluído. Após esses e-mails, Mandelson também recomendou a Epstein que, para evitar a declaração de imposto sobre doações, o valor precisaria ser registrado como um empréstimo.
Em uma nova mensagem enviada no dia 17 de setembro, da Silva agradeceu a Epstein pelo dinheiro recebido em sua conta. Em abril de 2010, ele enviou novamente seus dados bancários e Epstein, ao receber essas informações, disse a seu contador para transferir 13 mil dólares. Depois, pediu para que fossem enviados 2 mil dólares mensalmente a Reinaldo.
Além disso, um e-mail antigo indica que Epstein conheceu da Silva durante os últimos dias de sua sentença, quando estava em um programa de trabalho que lhe permitia sair da prisão durante o dia. Em uma mensagem enviada em julho de 2009, Epstein mencionou que havia estado com Reinaldo, e Mandelson agradeceu, ressaltando a importância daquela conversa para da Silva e para ele mesmo.
Recentemente, Mandelson se desculpou publicamente por ter mantido uma relação com Epstein após sua condenação e reconheceu que acreditou nas declarações do financista na época. Ele declarou que nunca foi cúmplice nos crimes de Epstein e que adquiriu conhecimento sobre a verdadeira natureza das ações do financista somente após sua morte. Mandelson lamentou os erros do passado e a falta de escuta das vítimas de Epstein. Documentos anteriores já haviam indicado que ambos, Mandelson e Epstein, estavam em contato frequente até mesmo em 2016.

