Nos últimos dois anos, o Brasil se tornou um dos favoritos a conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno, muito por conta da decisão do esquiador Lucas Braathen Pinheiro. Ele, que anteriormente competia pela Noruega, decidiu representar o Brasil na Olimpíada de Milão/Cortina d’Ampezzo, marcada para a próxima sexta-feira. Essa será a segunda participação de Lucas em Jogos Olímpicos.
Lucas nasceu em Oslo, na Noruega, filho de Bjørn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. Cresceu entre as culturas norueguesa e brasileira, passando parte da infância em São Paulo e adquirindo fluência em português e norueguês. Desde cedo, Lucas se interessou pelo futebol, mas aos 9 anos, na Noruega, começou a esquiá-lo e logo se destacou, subindo nas equipes de desenvolvimento do esqui alpino.
A trajetória de Lucas no esqui foi promissora. Em 2020, ele conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo em Sölden, na Áustria, aos 20 anos, e em janeiro de 2022, venceu no slalom em Wengen, na Suíça. Com seu talento, ele se destacou nas duas disciplinas do esqui alpino, que se diferenciam pelo tamanho do percurso e pela disposição dos portões. Na temporada de 2022/23, após uma debut olímpica discreta em Pequim, Lucas se sagrou campeão mundial no slalom, superando o renomado atleta norueguês Henrik Kristoffersen.
Entretanto, sua carreira teve um revés em outubro de 2023, quando ele anunciou sua aposentadoria aos 23 anos. Mas, em março de 2024, Lucas decidiu voltar às competições, agora defendendo o Brasil. Segundo Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), a empolgação de Lucas em representar o Brasil tem contribuído para o desenvolvimento do esqui alpino no país. Ao escolher a nova nacionalidade, ele ganhou liberdade para montar sua própria equipe e buscar patrocinadores, o que, segundo Pettersson, inspira outros atletas.
A decisão de Lucas de mudar de nacionalidade parece ter sido motivada por questões relacionadas a patrocinadores e o desejo de ter uma carreira mais individual, onde poderia mostrar sua personalidade, além de permitir que ele expressasse sua identidade brasileira em um esporte em que não é comum ver atletas da América do Sul.
Lucas explicou que ficou surpreso e feliz ao ver bandeiras brasileiras no ambiente competitivo, referindo-se a essa experiência como especial e revitalizadora. Ele mantém uma equipe de suporte de dez pessoas, reside na Áustria, mas também passa tempo em Milão, uma das sedes dos Jogos, e visita o Brasil regularmente, onde mora sua família materna e sua namorada, a atriz Isadora Cruz.
Ao todo, Lucas já conquistou dez pódios – um ouro, sete pratas e dois bronzes – competindo pela bandeira brasileira. A mais recente conquista foi uma prata no slalom gigante, em Schladming, na Áustria. Seu primeiro ouro pelo Brasil ocorreu em novembro, no slalom em Levi, na Finlândia.
Nos últimos dois anos competindo pelo Brasil, Lucas subiu ao pódio em dez etapas da Copa do Mundo. Atualmente, ele ocupa a segunda posição no ranking geral e nas disciplinas de slalom e slalom gigante. Esse desempenho sólido indica que ele está bem preparado para as competições de esqui alpino que começam no sábado, com transmissões ao vivo pela TV Globo, Sportv e CazéTV.

