De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), 80% das empresas industriais que enfrentam dificuldades para obter crédito de curto e médio prazo citam as taxas de juros elevadas como o principal empecilho. A pesquisa, que abrangeu 1.783 empresas entre 1º e 12 de agosto de 2025, revelou que os juros altos são, de longe, a maior barreira apontada pelos empresários.
Além das taxas, outros fatores impactam o acesso ao crédito. 32% dos participantes mencionaram a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, enquanto 17% indicaram a falta de linhas de crédito adequadas como um obstáculo.
No caso do crédito de longo prazo, que se estende por mais de cinco anos, os dados foram semelhantes. 71% dos empresários destacaram os juros altos, 31% apontaram a necessidade de garantias, e 17% a falta de opções de crédito apropriadas.
Demanda por Crédito
Os dados também mostram que, entre fevereiro e julho de 2025, 54% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de longo prazo, com apenas 17% realizando alguma contratação. No segmento de curto e médio prazo, 49% não buscaram crédito, enquanto 26% efetuaram contratações ou renovações.
Segundo a pesquisa, aproximadamente um terço das empresas que tentaram obter crédito de longo prazo não tiveram sucesso. Para o crédito de curto e médio prazo, esse número ficou em cerca de 20%.
Entre as empresas que renovaram suas linhas de crédito, 47% avaliaram que as condições de acesso, incluindo juros e exigências de garantias, permaneceram inalteradas. No entanto, 35% relataram que as condições se deterioraram no período analisado, enquanto apenas 14% perceberam uma melhora. Para o crédito de longo prazo, 33% notaram piora nas condições e 12% uma melhoria.
Quanto às operações de risco, apenas 13% das empresas afirmaram ter contratado alguma operação nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 5% preveem fazer isso nos próximos 12 meses. Além disso, 54% informaram que não contrataram nem pretendem contratar esse tipo de operação, e 29% não se manifestaram sobre o assunto.

