A crescente exploração de combustíveis fósseis e os preços do petróleo, considerados baixos nos últimos anos, podem impactar a transição energética para fontes renováveis. Essa avaliação é do pesquisador e professor da PUC-RJ, David Zylbersztajn, que foi o primeiro diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Em entrevista ao InfoMoney, Zylbersztajn destacou que, embora haja um movimento global em direção à redução da dependência de combustíveis fósseis, essa mudança tem sido lenta. Segundo ele, em 1990, a dependência mundial desses combustíveis era de 85%, reduzindo para 80% em 2022. “Se a velocidade de redução aumentar, poderemos chegar a 60% em 25 anos”, afirmou.
O especialista apontou que, embora a participação do petróleo nas matrizes energéticas possa diminuir, a oferta da commodity não deve cair significativamente, enquanto a demanda é crescente. Ele ressaltou que os preços competitivos dos combustíveis fósseis ainda influenciam essa transição, fazendo com que muitas empresas hesitem em trocar óleos combustíveis ou diesel por alternativas mais ecológicas.
Margem Equatorial
O pesquisador também mencionou que os investimentos na exploração da região poderiam contribuir para a melhora da justiça social, já que o estado do Amapá, por exemplo, possui apenas 7% de cobertura de saneamento. “Não será com o dinheiro dos nossos impostos que isso ocorrerá”, destacou.
Do ponto de vista econômico, Zylbersztajn argumentou que o Brasil não pode se dar ao luxo de importar petróleo que pode ser extraído internamente, transferindo assim recursos para outros países que já dispõem de uma economia mais robusta.

