Bancos centrais de diversas partes do mundo emitiram uma declaração em apoio ao presidente do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, Jerome Powell, após o início de uma investigação criminal envolvendo sua atuação. No comunicado, líderes de instituições financeiras, como a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, reforçaram a importância da independência dos bancos centrais.
“A independência dos bancos centrais é fundamental para a estabilidade econômica e financeira, em benefício dos cidadãos que servimos”, destacaram os líderes. A mensagem enfatiza a necessidade de garantir essa autonomia, respeitando o estado de direito e a democracia.
A declaração de solidariedade surgiu após Powell divulgar que promotores federais iniciaram uma investigação sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do Fed, localizada em Washington, D.C., e seu testemunho relacionado ao Congresso. Segundo Powell, essa investigação é uma reação à frustração do presidente Donald Trump, que tem pressionado constantemente por cortes mais agressivos nas taxas de juros.
“Essa ameaça de acusações criminais reflete a resistência do Fed em definir as taxas de juros conforme a avaliação mais apropriada para o interesse público, em vez de atender às preferências políticas do presidente”, afirmou Powell em um vídeo divulgado pela conta oficial do Fed no X (anteriormente conhecido como Twitter).
O presidente do Fed também expressou preocupação sobre o impacto da investigação nas decisões futuras da instituição. Ele ressaltou que o Fed deve continuar fundamentando suas políticas em evidências e condições econômicas, ao invés de se submeter a pressões políticas.
Enquanto isso, em uma entrevista à NBC News, Donald Trump negou ter conhecimento da investigação do Departamento de Justiça sobre o Fed, reiterando sua posição de que o banco central deveria adotar uma abordagem mais agressiva em relação à redução das taxas de juros para facilitar o acesso à moradia e aliviar os custos de empréstimos.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente não ordenou a investigação e defendeu seu direito de criticar as políticas do banco central.

