Nesta quarta-feira, 28 de novembro, o mercado financeiro acompanha atentamente a decisão do Comitê de Política Monetária dos Estados Unidos (FOMC) a respeito das taxas de juros. A reunião do Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central brasileiro, avaliará dados sobre a atividade econômica, o emprego e a inflação, em um cenário marcado pela pressão do presidente Donald Trump por cortes significativos nas taxas de juros.
A expectativa predominante é de que o Fed mantenha a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75%. Dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, apontam uma probabilidade de 97% de que essa manutenção ocorrerá.
De acordo com o Bank of America (BofA), o FOMC está “firmemente em modo de espera”. A instituição acredita que a reunião de janeiro deve trazer poucas mudanças significativas, uma vez que o Fed continua dependendo de novas informações e considera que a atual política monetária está próxima da taxa neutra, reduzindo a urgência para ações imediatas.
Desemprego e Economia
Os dados de desemprego surgem como um importante indicador econômico. Em novembro, a taxa de desemprego nos EUA alcançou 4,6%, o nível mais alto em quatro anos, superando o 4,4% registrado em setembro. Esse aumento foi inesperado, já que as previsões apontavam para estabilidade. Em dezembro, a taxa foi corrigida para 4,4%.
Inflação
O índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou um aumento de 0,3% em dezembro, mantendo uma alta anual de 2,7%. Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,2% em novembro e acumulou alta de 2,8% nos últimos 12 meses, superando as expectativas. O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, permanece alinhado às previsões do Fed. A instituição tem como meta uma inflação de 2% e, com os indicadores atuais fora dessa meta, é provável que não ocorra alteração nas taxas de juros até que haja evidências de que cortes não provocariam aumento inflacionário.
Analistas do Petersen Institute, Peter Orszag e Adam Posen, alertam para pressões inflacionárias que podem emergir em 2026, em decorrência das tarifas comerciais implementadas por Trump no ano anterior. Eles argumentam que os importadores têm absorvido essas tarifas, o que tem feito com que suas margens de lucro reduzam gradualmente, um comportamento insustentável a longo prazo.
Produto Interno Bruto (PIB)
O recente relatório do BofA destacou um aumento na produtividade, indicando um crescimento econômico acelerado. Essa informação, no entanto, resulta em implicações mistas para a política monetária. O aumento na produtividade pode elevar a taxa neutra e, ao mesmo tempo, exercer pressão desinflacionária. O BofA defende que esses dados reforçam a ideia de que a taxa de juros deve permanecer inalterada.
Divisões Internas no Fed
José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, observa que o comitê do Fed está dividido em suas prioridades: parte dos membros foca na inflação, enquanto outros se concentram no mercado de trabalho. Essa division interna pode dificultar um consenso, levando a uma preservação das taxas de juros.
Pressão Política
A pressão externa, especialmente do presidente Trump, adiciona um elemento de volatilidade ao panorama econômico. Desde o ano passado, Trump tem solicitado cortes de juros para estimular o crescimento econômico, mas os membros do Fed permanecem cautelosos, priorizando dados econômicos em suas decisões e evitando cortes precipitadas.
Com a presidência do Fed, Jerome Powell, seu mandato se encerrando em maio, há a expectativa de que Trump possa indicar um sucessor com visão semelhante. No entanto, segundo Alfaix, essa tensão política deve influenciar pouco as decisões do Fed, que continuará a basear suas ações em dados concretos, independentemente da pressão externa.
Projeções Futuros
Projeções do FedWatch sugerem que um corte na taxa de juros só deverá ocorrer em junho, com uma maior probabilidade de os juros ficarem entre 3,25% e 3,50%. Para 2026, a expectativa é que as taxas sejam reduzidas para entre 3% e 3,25%. O BofA prevê dois cortes de 25 pontos-base cada, um em junho e outro em julho de 2026, enquanto a Rio Bravo acredita que as taxas permanecerão inalteradas até que Powell deixe a presidência do Fed, com pelo menos uma redução de 0,5 bps prevista para aquele ano, dependendo dos dados econômicos, particularmente os relacionados ao mercado de trabalho.

