O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos optou por manter as taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira, 28 de dezembro, em meio a uma inflação ainda elevada e uma sólida recuperação econômica. A decisão foi comunicada após a reunião do Comitê de Política Monetária (FOMC), que resultou em uma votação de 10 a 2 a favor da manutenção da taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
No comunicado oficial, os membros do FOMC destacaram que “a atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido”. No entanto, não foram mencionadas direções concretas sobre futuras reduções nas taxas de juros. Eles indicaram que a “extensão e o momento de ajustes adicionais” dependerão de dados econômicos futuros e das perspectivas para o crescimento.
Duas vozes discordantes emergiram durante a votação: Christopher Waller, um candidato à presidência do Fed, e Stephen Miran, ex-conselheiro econômico da Casa Branca, que defenderam um corte de 0,25 ponto percentual.
A avaliação do Fed sobre a inflação foi clara: ela “permanece um tanto elevada”. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho mostrou sinais de estabilização, embora os ganhos de emprego tenham se mantido baixos. Uma mudança notável foi a remoção da menção anterior sobre os riscos de aumento do desemprego, indicando uma preocupação menor com uma desaceleração abrupta no setor.
Antes dessa reunião, as análises dos membros da entidade já indicavam um mercado de trabalho equilibrado, com a taxa de desemprego registrada em 4,4% em dezembro.
A coletiva de imprensa com o presidente Powell está agendada para as 16h30 (horário de Brasília), onde ele abordará a política monetária e as expectativas econômicas.
Divisões no Comitê do Fed
A decisão de manter as taxas confirma uma suspensão no ciclo atual de afrouxamento monetário que começou no final do governo Biden e continuou após uma pausa de aproximadamente nove meses durante o mandato de Donald Trump. O FOMC já havia reduzido as taxas em três ocasiões até 2025, com um corte de 0,25 ponto percentual na reunião anterior de dezembro.
O recente debate no FOMC permanece dividido, com três de seus doze membros votando contra a manutenção das taxas, refletindo preocupações persistentes sobre a inflação acima da meta de 2% e o potencial aumento do desemprego caso as condições de crédito não sejam flexibilizadas.
Essas divisões podem influenciar as diretrizes do Fed nos próximos meses, especialmente para quem assume o comando do banco central. Uma decisão sobre o futuro de Powell como presidente deverá ser anunciada pelo ex-presidente Trump em breve, com expectativas de que seu sucessor já esteja atuando na reunião de junho.

