O verão de 2025 traz uma nova onda de turistas argentinos a Santa Catarina, atraídos pela situação econômica da Argentina, que ainda apresenta uma alta dolarização. O câmbio atraente no Brasil tem tornado as opções de hospedagem e alimentação particularmente vantajosas. Além disso, diversas instituições financeiras implementaram ferramentas digitais integradas ao Pix, permitindo que os visitantes realizem pagamentos automáticos sem a necessidade de recorrer a casas de câmbio.
Esse cenário econômico favorece a escolha do Brasil como destino turístico. De acordo com a Embratur, o país recebeu 9,287 milhões de turistas estrangeiros em 2024, dos quais 3,386 milhões eram argentinos, um recorde na série histórica. Em Santa Catarina, o número de chegadas de turistas estrangeiros aumentou em 50%, totalizando 741.401 visitantes em 2025, comparado a 495 mil em 2024. Somente em dezembro de 2025, 89.421 estrangeiros visitaram o estado, representando um crescimento de 12,32% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A forte presença argentina em Santa Catarina é evidenciada pelo crescente número de veículos com placas argentinas e pela mistura cultural nas interações entre comerciantes e turistas. Além disso, a primeira edição brasileira do festival Cosquín Rock, conhecido como o “Glastonbury latino-americano”, está programada para ocorrer em Florianópolis no dia 13 de fevereiro, com a participação de artistas como Ratones Paranoicos e La Vela Puerca, entre outros.
Vantagens Econômicas
Dentre as razões que tornam Santa Catarina um destino atrativo para os argentinos, os preços competem diretamente com os da Argentina. O Real apresentou valorização de 11,09% em relação ao dólar americano em 2025, enquanto o peso argentino enfrentou uma desvalorização de 29,03%. A previsibilidade das cotações brasileiras também oferece maior segurança aos turistas argentinos, que têm enfrentado oscilações no valor de sua moeda recentemente.
Segundo o site Noticias Argentinas, o gasto diário médio dos turistas argentinos em destinos praianos varia entre US$ 250 e US$ 350, enquanto em Florianópolis esse valor cai para entre US$ 150 e US$ 270. O custo de hospedagem em Florianópolis é considerado um dos principais fatores que atraem visitantes. Um pacote de seis noites, incluindo voo direto e hotel básico na praia do Santinho, custa cerca de R$ 4 mil (1,110 milhão de pesos) por pessoa, e em Jurerê, os preços podem chegar a R$ 4,2 mil (1,165 milhões de pesos) por semana.
Casais relataram gastos de até R$ 1 mil diários em hotéis em Canasvieiras, incluindo acomodação com piscina e café da manhã, totalizando em média 280 mil pesos, um valor elevado na Costa Atlântica argentina. Os preços também se mostram favoráveis em supermercados e restaurantes, com refeições para quatro pessoas com frutos do mar custando R$ 200, aproximadamente 60 mil pesos.
Os custos das comidas e bebidas nas praias de Santa Catarina são competitivos em comparação aos preços em Mar del Plata, na Argentina. Uma caipirinha custa cerca de R$ 25 (7.000 pesos), enquanto um choripán é vendido a R$ 20 (5.600 pesos). Um milho cozido, um clássico das praias, custa R$ 12 (3.400 pesos), em contraste com um preço de 5.000 pesos (R$ 18) em Mar del Plata. Além disso, o preço da cerveja também se apresenta mais acessível, sendo vendida por cerca de R$ 15 (pouco mais de 4.000 pesos) nas praias catarinenses.
Outro fator que facilita a vinda dos argentinos é a comodidade nos pagamentos. Com a recente desregulamentação financeira na Argentina, que permitiu o uso de carteiras digitais como as stablecoins USDC e USDT, muitos argentinos têm optado por pagamentos via Pix, eliminando a necessidade de câmbio.
(Fontes: La Nación, Clarín, Noticias Argentinas e Embratur)

