BRASÍLIA, 13 de janeiro (Reuters) – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo central encerrou 2025 com um déficit primário estimado em 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse resultado está dentro da meta de déficit zero para o ano, que possui uma margem de tolerância de 0,25% do PIB.
Em entrevista a jornalistas, Haddad esclareceu que esse número não inclui despesas que não são contabilizadas fiscalmente após autorização judicial. Quando se levam em conta os gastos com precatórios e as indenizações a aposentados, o déficit poderia atingir 0,48% do PIB. “Estamos em uma trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano”, declarou o ministro.
Os números finais sobre o resultado fiscal de 2025 serão divulgados pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central apenas no final de janeiro. Recentemente, o Tesouro fez projeções indicando uma deterioração significativa na trajetória da dívida pública. Haddad destacou que a principal influência sobre esse indicador é a elevação das taxas de juros, e não os resultados primários.
Em sua primeira aparição após retorno de férias, o ministro mencionou que está aberto a discutir sua possível saída do comando da Fazenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que o diálogo pode ocorrer “quando ele quiser”. No final do ano passado, Haddad havia estimado que deixaria a pasta até fevereiro.
Ele também defendeu a decisão do Banco Central em liquidar o Banco Master, enfatizando a robustez da atuação da autarquia. Haddad ressaltou a importância do tema, considerando que as instituições públicas, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, representam cerca de um terço da capitalização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que será utilizado para reembolsar os clientes do Banco Master.
“O caso requer muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país e precisamos seguir todas as formalidades necessárias”, alertou o ministro.

