O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, apresentou a sua visão sobre a atual política de juros do Banco Central (BC). Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma posição na diretoria da autoridade monetária, destacou a necessidade de uma nova abordagem nas decisões de política monetária relacionadas à taxa Selic.
Embora Haddad tenha feito a indicação, a decisão final sobre a nomeação do novo diretor do BC cabe ao presidente Lula, que também aprovará o nome após uma votação no Senado. Atualmente, há duas vagas abertas no BC: uma para a Diretoria de Política Econômica, responsável pelo embasamento técnico das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela comunicação da política monetária, e outra para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
Durante uma entrevista focada nas previsões macroeconômicas do governo, Mello ressaltou que os dados disponíveis indicam um cenário que permite uma mudança na postura do Banco Central. Ele afirmou que acredita numa convergência da inflação em direção à meta de 3%, embora essa transição não seja imediata. “Estamos diante de uma trajetória benigna que possibilita ajustes na política monetária”, acrescentou.
A discussão agora gira em torno do momento apropriado para uma possível redução da taxa de juros. Mello enfatizou que a mudança na trajetória não será abrupta, mas que a ênfase está em determinar quando isso ocorrerá. Ele classificou a atual taxa Selic de 15% ao ano como uma abordagem “ultra restritiva”, que resultou em uma retração significativa no mercado de crédito.
Recentemente, o Copom indicou que um corte na taxa de juros pode ser considerado na reunião de março. Mello também comentou sobre a necessidade de não esperar que a inflação chegue ao centro da meta para iniciar cortes nos juros, já que existem outras variáveis que o Copom avaliará.
Neste contexto, a indicação de Mello ao Banco Central levanta a expectativa, mas também uma certa cautela entre os agentes do mercado. O secretário é visto como tendo uma abordagem heterodoxa em relação à política econômica.
Atualmente, a Diretoria de Política Econômica está interinamente sob a supervisão de Paulo Picchetti, enquanto a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução é gerida interinamente por Gilneu Vivan. Ambas as posições estão vagantes desde o final do ano passado, refletindo a necessidade de definições claras na estrutura de liderança do Banco Central.

