O Banco do Japão (BoJ) decidiu manter sua taxa básica de juros em 0,75% durante a reunião de dois dias que culminou nesta sexta-feira. Essa escolha já era esperada, especialmente após um aumento anterior de 0,5% em dezembro. Contudo, o BoJ demonstrou cautela em relação a futuras deliberações.
Hajime Takata, membro do conselho da instituição, sugeriu um novo aumento nas taxas, mas não obteve apoio de outros diretores. Ele, no entanto, reforçou a postura hawkish do Banco Central, indicando uma tendência favorável a elevações.
Em suas previsões, o BoJ manteve uma visão hawkish em relação à inflação e alertou sobre os riscos decorrentes da desvalorização do iene. O banco sinalizou que pretende continuar ajustando as taxas de juros em meio a um ambiente político desafiador.
O presidente do BoJ, Kazuo Ueda, em coletiva de imprensa após o anúncio, destacou que os aumentos salariais constantes estão incentivando as empresas a repassar os custos mais elevados de mão de obra. Embora tenha se mostrado discreto sobre quando a próxima elevação pode ocorrer, Ueda enfatizou a importância de decisões ágeis, contando com dados recentes, como pesquisas de empresas.
“À medida que preços e salários sobem gradativamente, precisamos avaliar se essa tendência persistirá e a que ritmo, analisando diversos dados para fundamentar nossa decisão sobre os juros”, afirmou Ueda.
Em um relatório trimestral, o BoJ apresentou uma perspectiva mais otimista para a economia, prevendo um ciclo positivo de receitas e despesas que será “gradualmente fortalecido”. As projeções de crescimento para os anos fiscais de 2025 e 2026 foram elevadas, assim como a expectativa de inflação ao consumidor para o ano fiscal de 2026, que passou de 1,8% para 1,9%.
O banco central também expressou cautela quanto aos efeitos de um iene fraco, alertando que a volatilidade da moeda pode levar as empresas a aumentarem os preços ao consumidor devido ao incremento dos custos importados. Ueda reafirmou que o aumento das taxas de juros continuará, caso suas previsões para economia e preços se concretizem, deixando claro que a trajetória e o ritmo das elevações dependem da evolução econômica e financeira.
Informações adicionais foram obtidas da Reuters.

