O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul deve resultar em efeitos econômicos modestos a curto prazo, mas promete ganhos estruturais significativos nos próximos anos, segundo análise da XP Investimentos. De acordo com o relatório publicado em 20 de março de 2023, as simulações indicam um impacto macroeconômico positivo para o Brasil, impulsionado por um aumento na atividade econômica, investimentos e incremento no bem-estar da população, além da ampliação do comércio.
A XP destaca que a verdadeira relevância econômica do acordo não reside apenas nas transações comerciais imediatas, mas em sua capacidade de transformar padrões produtivos, reduzir custos de insumos e fomentar a produtividade a longo prazo.
Dentro dos setores analisados, o agronegócio é apontado como o principal beneficiado, com uma previsão de crescimento de cerca de 2% em sua produção, o que representa quase US$ 11 bilhões. Os destaques incluem aves, suínos, alimentos processados, óleos e gorduras vegetais, bem como a pecuária. Contudo, o relatório alerta que a ampliação de cotas e a redução tarifária não garantem uma expansão imediata da produção, o que explica o impacto inicial limitado do acordo.
Impacto na Indústria: Reestruturação e Oportunidades
A análise também aborda a indústria brasileira, relativizando a percepção de que o acordo seria prejudicial. Embora se esperem quedas na produção em setores intensivos em tecnologia, como máquinas, equipamentos elétricos e farmacêuticos, as perdas serão contrabalançadas por ganhos em setores tradicionais, como calçados, couro, metais não ferrosos, e papel e celulose.
Comércio Bilateral: Importações e Exportações
No que diz respeito ao comércio bilateral, as exportações brasileiras para a União Europeia devem crescer mais de 20%, enquanto as importações do bloco europeu podem ultrapassar 70% durante o período de análise. Esse cenário pode levar a uma deterioração do saldo bilateral com a União Europeia, especialmente nos primeiros anos de implementação do acordo. No entanto, a XP ressalta que parte desse impacto será mitigada pela redução nas importações de outros parceiros comerciais.
Liberalização de Tarifas: Um Processo Gradual
Conforme o relatório, a União Europeia eliminará tarifas sobre aproximadamente 95% das linhas tarifárias, abrangendo cerca de 92% do valor total importado do Brasil, com cortes que ocorrerão de forma imediata ou escalonada ao longo de um período de até 12 anos. Apenas 5% das exportações brasileiras continuarão sujeitas a cotas ou regimes especiais, focadas em produtos agrícolas sensíveis. No caso do Brasil, a abertura ao comércio de manufaturados europeus também será gradual, com exceções para setores vulneráveis, como o automotivo, o que ajudará a limitar os custos de ajuste a curto prazo.

