As críticas de líderes mundiais, incluindo Donald Trump, às elevadas taxas de juros praticadas pelos bancos centrais têm uma explicação econômica significativa. O crescente endividamento público tem mudado a dinâmica entre as autoridades monetária e fiscal, dificultando a separação entre suas funções tradicionais.
Um estudo recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) destaca que a acumulação de dívidas soberanas torna as decisões sobre taxas de juros cada vez mais cruciais para as finanças públicas. Com juros mais altos, o custo dos empréstimos para os governos aumenta, o que gera pressão nas contas públicas.
Quando a dívida pública é alta, os custos associados ao combate à inflação também se elevam, pois o aumento das taxas de juros acarreta um aumento nas despesas governamentais com o pagamento de juros. Em consequência, essa situação pode dificultar uma resposta eficaz à inflação, mesmo que a dívida do governo esteja fiscalmente respaldada.
Os autores do estudo argumentam que a combinação de elevada dívida e choques inflacionários pode restringir a política fiscal, potencializando a inflação. Em casos de recessão impulsionada pela demanda, as limitações fiscais podem ser mais severas do que a taxa de juros zero, levando os bancos centrais a optar pela impressão de moeda ou pela aceitação da dominância fiscal.
Contexto da Dívida nos EUA
No que se refere à situação atual dos Estados Unidos, o documento revela que, no ano fiscal de 2024–2025, as despesas líquidas com juros da dívida federal se aproximarão de US$ 1 trilhão, representando cerca de um quinto da arrecadação federal e superando os gastos do governo com defesa nacional.
Os autores do BIS afirmam que, em níveis elevados de dívida, as decisões de política monetária têm um impacto substancial sobre a margem fiscal do governo, tornando as taxas de juros uma preocupação central para as autoridades fiscais. Além disso, essas circunstâncias se agravam em um contexto de pressões inflacionárias persistentes, impulsionadas pela fragmentação geopolítica, mudanças climáticas e transformações demográficas.
Esses desafios coincidem com um aumento da pressão política sobre os bancos centrais para relaxarem a política monetária. Durante sua presidência, Donald Trump foi vocal ao pressionar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, a reduzir as taxas de juros, apresentando essa medida como forma de diminuir o custo de financiamento do governo, conforme apontado pelo estudo.

