As expectativas em relação à taxa básica de juros do Brasil e dos Estados Unidos permanecem inalteradas, conforme indicam os resultados da pesquisa Pré-Copom realizada pela XP com gestoras de fundos multimercados. De acordo com os dados, a taxa de juros no Brasil deverá se manter em 15% ao ano, enquanto nos Estados Unidos, a previsão está entre 3,5% e 3,75% ao ano.
O levantamento destaca que as influências externas assumem um papel crucial na formação da percepção macroeconômica, superando as dinâmicas locais. O ambiente externo mais favorável pode aumentar o apetite de investidores estrangeiros por ativos de mercados emergentes, como o brasileiro, resultando em uma valorização do real. Essa valorização, por sua vez, tem um impacto direto no controle da inflação, criando condições que podem facilitar cortes nas taxas de juros no futuro.
Nos últimos doze meses, as gestoras ajustaram suas projeções de juros. Em janeiro de 2025, a expectativa era que a Selic atingisse 15% ao final de 2026, mas os números agora indicam uma expectativa de 11,8% para o mesmo período. Os gestores atribuem essa mudança à estabilização das taxas de juros nas economias mais robustas, como a dos EUA, que favorece o fortalecimento do real. Com um real mais forte, o custo de bens importados e commodities diminui, atuando como um freio para a inflação no Brasil.
A pesquisa da XP ainda aponta uma diminuição no otimismo em relação à Bolsa de Valores brasileira (B3). O percentual de gestores com viés “comprado” caiu de 64% para 42% desde setembro, refletindo uma maior cautela. Em contrapartida, há um aumento no interesse por ações de mercados americanos, sinalizando uma mudança nas estratégias de investimento em resposta à volatilidade interna.
Com relação às projeções inflacionárias, o IPCA, que havia alcançado um pico de 4,7% em meados de 2025, agora apresenta uma expectativa de 4,0% para 2026. Essa diminuição nas previsões mostra um alinhamento com as estimativas do Boletim Focus, sugerindo que o choque de custos foi absorvido pela valorização do câmbio.
Além disso, 72% das gestoras estão apostando na valorização do real, uma alta em relação aos 33% registrados em janeiro de 2025. A combinação de juros elevados e uma moeda local fortalecida têm se mostrado uma estratégia predominante entre os fundos multimercados.
Por último, o aumento do “apetite ao risco” está promovendo um desempenho positivo nos fundos multimercados, que voltaram a apresentar resultados acima do CDI. As gestoras estão mais confiantes em suas teses de investimento, embora a XP reforce a importância da cautela para investidores individuais, devido aos riscos associados ao mercado financeiro.

