O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a implementação de novas tarifas sobre bens provenientes de países que mantêm relações comerciais com o Irã. Essa medida pode afetar a trégua comercial estabelecida há um ano com a China, que é, atualmente, a principal compradora de petróleo iraniano. Em sua declaração nas redes sociais, Trump afirmou que “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre qualquer e todo negócio realizado com os Estados Unidos da América”, destacando que essa cobrança é “efetiva imediatamente”, mas sem detalhar sua aplicação.
Essa ação do presidente ocorre meses após a assinatura de um acordo com o presidente chinês, Xi Jinping, durante uma cúpula na Coreia do Sul. O acordo suspendeu tarifas e garantiu aos Estados Unidos acesso a terras raras, minerais essenciais para a produção de tecnologias de ponta. Vale ressaltar que a China, que anteriormente impôs restrições sobre suas exportações, desempenha um papel central nesse mercado.
Após a trégua comercial em outubro de 2022, a tarifa média dos EUA sobre produtos chineses diminuiu de 40,8% para 30,8%, de acordo com a Bloomberg Economics. Contudo, a imposição de novas tarifas pode desestabilizar esse ambiente e gerar incertezas sobre a visita planejada de Trump a Pequim em abril.
Ainda é incerto se essas novas tarifas se somarão às já existentes ou se haverá exceções para a China. Em declarações anteriores, assessores do governo indicaram que tarifas mais altas poderiam impactar negativamente a economia dos EUA, sendo que em agosto de 2022, o assessor da Casa Branca, Peter Navarro, enfatizou que o objetivo não era prejudicar a própria economia norte-americana.
A China, por sua vez, permanece atenta às ações dos EUA. O pesquisador Zhou Mi, ligado ao Ministério do Comércio, sinalizou que se os EUA não honrarem seus compromissos, Pequim poderá tomar “medidas apropriadas”. Ele questionou a justificativa de segurança nacional utilizada pelos EUA, já que a relação comercial entre outros países e o Irã não representa uma ameaça clara.
As tensões entre os EUA e Irã aumentaram devido aos recentes protestos no Irã, que resultaram na morte de mais de 540 pessoas e na prisão de mais de 10 mil, segundo a Human Rights Activist News Agency. Trump está considerando novas opções em resposta a esses acontecimentos.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reforçou que o país defenderá seus direitos e interesses diante das declarações de Trump, classificando suas ameaças como “coerção”.
Os mercados financeiros, por enquanto, mostraram uma resposta tímida ao anúncio de Trump. Segundo Vey-Sern Ling, diretor-gerente do Union Bancaire Privée, é improvável que o presidente tome medidas que puedan comprometer a trégua comercial com a China apenas para pressionar o Irã.
Historicamente, o Irã tem sido um ponto de discórdia nas relações entre EUA e China. Enquanto os EUA tradicionalmente apoiam países como Israel e Arábia Saudita, a China tem fortalecido seus laços com Teerã, recebendo quase 90% das exportações de petróleo iraniano. Embora a China tenha oficialmente interrompido a compra de petróleo iraniano em junho de 2022, indicações sugerem que as importações continuaram, devido a uma cadeia de suprimentos que evita o controle ocidental.
Os dados mais recentes da alfândega chinesa mostram que as importações do Irã caíram quase 28% em comparação ao ano anterior, totalizando US$ 2,86 bilhões nos primeiros 11 meses de 2025. Entre os principais produtos importados estão materiais plásticos, metais e produtos químicos.
A China considera o Irã um parceiro estratégico significativo, e analistas acreditam que as manobras de Trump nesse cenário são incertas. Dexter Roberts, pesquisador sênior do Atlantic Council, sugere que futuras decisões poderão ser impactadas por desdobramentos inesperados nas relações entre os países.

