O economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando suas ações de “venezuelização” do país. As declarações foram feitas após a abertura de uma investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Krugman argumenta que essa movimentação serve como uma forma de intimidação não apenas a Powell, mas a todos os membros da autoridade monetária, e que possui o potencial de se voltar contra Trump, principalmente se não houver cortes nas taxas de juros em um futuro próximo.
Em um post intitulado “Trump está venezuelando os Estados Unidos”, Krugman destacou que a intimidação se estende a qualquer um que se oponha à agenda do presidente. Ele citou um manifesto de ex-presidentes e membros do Fed, que defendem Powell e denunciam a instrumentalização do Departamento de Justiça contra ele, alertando para os perigos de uma política monetária semelhante à de países emergentes com instituições fracas.
Krugman enfatizou que “mercados emergentes com instituições fracas” se referem a nações em desenvolvimento como a Venezuela. Apesar de Trump ter se intitulado “presidente interino da Venezuela” recentemente, Krugman reitera que tal afirmação é infundada e que as políticas do presidente americano podem levar os EUA a um colapso econômico semelhante ao da Venezuela.
Em sua análise, Krugman elenca três razões pelas quais a estratégia de Trump pode falhar. Primeiro, ele sustenta que os juros não devem cair no curto prazo. O Fed, segundo Krugman, pode hesitar em reduzir as taxas mesmo que isso seja um passo lógico, a fim de não parecer que está cedendo à pressão de Trump. Essa resistência deve persistir mesmo após a eventual seleção de um novo presidente para o Fed, já que Powell permanece no cargo até maio de 2026, e a política monetária é decidida por um comitê, não por um único indivíduo.
O segundo ponto levantado por Krugman diz respeito à limitação de um banco central politizado em relação a reduzir as taxas de juros de curto prazo de forma sustentável. Ele menciona a Turquia como um exemplo de país que, após cortar juros, viu sua inflação disparar para 80%.
Por último, o economista alerta que ataques à independência do Fed podem impulsionar as taxas de juros de longo prazo, que possuem um impacto mais significativo na economia. Ele observa que, embora as taxas de longo prazo nos EUA não tenham experimentado grandes variações após a revelação da investigação contra Powell, houve um leve aumento.
Krugman também criticou membros do governo Trump, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, por não terem demonstrado integridade ao não ameaçarem renunciar diante da investigação contra Powell.
Além disso, o economista fez uma conexão entre a intimação a Powell e incidentes de violência, como a morte de Renee Nicole Good, a qual afirmou ser representativa da “tolerância zero para a dissidência” que caracteriza a administração Trump.

