BRUXELAS, 18 de janeiro (Reuters) – Embaixadores da União Europeia alcançaram um consenso neste domingo para aumentar as ações visando dissuadir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas sobre países europeus. Ao mesmo tempo, prepararam medidas de retaliação que podem ser implementadas caso as tarifas sejam de fato impostas, conforme relataram diplomatas da UE.
Trump anunciou no sábado a intenção de elevar tarifas, a partir de 1º de fevereiro, sobre membros da UE, incluindo Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, além do Reino Unido e Noruega. Essa medida, considerada por estados da UE como uma forma de chantagem, está condicionada à autorização dos Estados Unidos para comprar a Groenlândia.
Os líderes da UE se reunirão para discutir as possíveis respostas em uma cúpula de emergência marcada para quinta-feira, em Bruxelas. Entre as opções em consideração está um pacote de tarifas sobre importações dos EUA, totalizando aproximadamente 93 bilhões de euros, que poderia ser aplicado automaticamente a partir de 6 de fevereiro, após uma pausa de seis meses.
Outra alternativa é a ativação do Instrumento Anti-Coerção (ACI), que ainda não foi utilizado. Essa ferramenta poderia restringir o acesso a licitações públicas, investimentos e serviços bancários, além afetar o comércio de serviços, em que os EUA têm um superávit significativo com o bloco europeu.
O pacote tarifário parece reunir mais apoio inicial entre os membros da UE em comparação com as medidas do ACI, cuja aceitação é atualmente considerada “muito variada”, segundo uma fonte interna da UE.
DIÁLOGO EM DAVOS
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que lidera as cúpulas da UE, compartilhou em redes sociais que, durante as consultas com os membros, ficou evidente um forte compromisso em apoiar a Dinamarca e a Groenlândia, assim como uma disposição para defendê-las contra qualquer tipo de coerção.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, em um encontro com seu homólogo norueguês em Oslo, reafirmou que a Dinamarca continuará a investir em diplomacia, mencionando um entendimento alcançado entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos para formar um grupo de trabalho. “Os Estados Unidos não se resumem apenas ao presidente; existem freios e contrapesos na sociedade americana”, disse Rasmussen.
As discussões da UE devem ser um ponto focal no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump discursará na quarta-feira, marcando sua primeira participação no evento em seis anos. Um diplomata da UE destacou que “todas as opções estão sobre a mesa”, com diálogos a serem realizados com os EUA e líderes europeus após o evento.
Os países afetados pelas tarifas, que atualmente enfrentam taxas entre 10% e 15%, já enviaram um número reduzido de tropas para a Groenlândia, em meio a uma crescente tensão sobre o futuro da vasta ilha ártica sob domínio dinamarquês.
Um comunicado conjunto enfatizou que as ameaças tarifárias comprometem as relações transatlânticas e podem desencadear uma perigosa espiral de retaliações. As lideranças europeias expressaram prontidão para dialogar, respeitando os princípios de soberania e integridade territorial.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, destacou em uma declaração escrita que está satisfeita com a solidariedade manifestada pelos demais países europeus, afirmando: “A Europa não será chantageada”.
A iminência de tarifas gerou inquietação nos mercados globais, resultando na desvalorização do euro e da libra esterlina frente ao dólar, além de reverter a previsibilidade econômica esperada.

