O varejo brasileiro encerrou 2025 com uma retração de 0,5% no volume de vendas em comparação a 2024, conforme indicado pelo Índice do Varejo Stone (IVS). Essa queda é atribuída ao esgotamento dos fatores que sustentaram o consumo ao longo do ano, segundo Guilherme Freitas, economista da Stone. Ele destacou que, apesar de o mercado de trabalho ter se mantido robusto, a combinação de juros elevados, crédito mais caro e alto endividamento das famílias limitou o potencial de novas compras, especialmente de bens de maior valor.
Em dezembro de 2025, o varejo registrou uma diminuição de 1,5% em relação ao mesmo mês de 2024, além de um recuo de 0,9% nas vendas quando comparado a novembro. No último trimestre do ano, o volume de vendas enfrentou uma queda de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024, refletindo um cenário de comprometimento da renda familiar com dívidas e condições de crédito mais severas.
Analisando o desempenho por segmentos, quatro setores se destacaram com alta no acumulado do ano:
- Móveis e Eletrodomésticos: +2,4%
- Artigos Farmacêuticos: +1,5%
- Material de Construção: +0,9%
- Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico: +0,3%
Por outro lado, os seguintes segmentos apresentaram quedas significativas:
- Combustíveis e Lubrificantes: -5,7%
- Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo: -4,6%
- Livros, Jornais, Revistas e Papelaria: -4,3%
- Tecidos, Vestuário e Calçados: -0,4%
Em dezembro especificamente, apenas três dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento:
- Material de Construção: +1,7%
- Artigos Farmacêuticos: +0,6%
- Combustíveis e Lubrificantes: +0,3%
Por outro lado, destacaram-se as quedas nos seguintes setores:
- Livros, Jornais, Revistas e Papelaria: -5,5%
- Tecidos, Vestuário e Calçados: -3,4%
- Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo: -3,2%
- Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico: -0,5%
- Móveis e Eletrodomésticos: -0,1%
No desempenho regional, apenas os estados do Piauí (+2,3%), Alagoas (+1,2%) e Rondônia (+1,1%) apresentaram crescimento anual nas vendas do varejo. Em contraste, Mato Grosso do Sul (-5,9%), Amazonas (-5%) e Ceará (-4,4%) foram os estados com as maiores quedas. Freitas aponta que os resultados positivos no Nordeste, como em Piauí e Alagoas, refletem uma resiliência do consumo essencial, menos dependente de crédito, e mais baseado em fontes de renda recorrentes. Entretanto, a maioria dos estados do Brasil enfrentou retração nas vendas, com quedas mais acentuadas no Centro-Oeste e resultados negativos no Sudeste e Sul, devido às condições financeiras restritivas enfrentadas pelas famílias.

