A cidade de Botucatu, localizada no interior de São Paulo, iniciou neste domingo, dia 18, a vacinação contra a dengue com um novo imunizante nacional de dose única, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A meta do Ministério da Saúde é vacinar até 50% da população entre 15 e 59 anos na cidade.
Botucatu foi uma das três cidades escolhidas para testar a eficácia dessa nova vacina em um projeto de “imunização acelerada”. As outras duas cidades que participam dessa avaliação são Nova Lima, em Minas Gerais, e Maranguape, no Ceará. As três localidades foram selecionadas por terem entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma infraestrutura de saúde adequada para acompanhar o impacto da vacina e a circulação do vírus dengue na comunidade. O lote inicial conta com 1,3 milhão de doses que já foram entregues pelo Butantan.
Durante um período de um ano, especialistas irão monitorar a incidência de casos de dengue nas cidades participantes e também observar possíveis eventos adversos raros após a vacinação. Essa abordagem já foi utilizada anteriormente em Botucatu, quando se avaliou a eficácia da vacina contra a Covid-19.
Neste domingo, todas as unidades de saúde de Botucatu estarão abertas das 8h às 17h. Além disso, as vacinas estão sendo aplicadas nos campi da Unesp em Rubião Júnior e na Fazenda Lageado, com um sistema de drive-thru que facilita a imunização.
O secretário de Saúde do estado, Eleuses Paiva, explicou que o objetivo é testar a chamada “imunidade de rebanho”. Ele destacou que é importante entender quantas pessoas precisam ser vacinadas para evitar a circulação do vírus. Se a circulação for eliminada, a epidemia pode ser controlada.
O secretário também comentou sobre a resposta da população à campanha de vacinação, observando que a grande quantidade de pessoas na fila do drive-thru indica um bom engajamento da comunidade. Ele ressaltou que a vacina em dose única facilita a adesão ao esquema vacinal.
A nova vacina, chamada Butantan-DV, é o primeiro imunizante de dose única do mundo contra a dengue. Ela oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus e, segundo os estudos, tem uma eficácia global de 74%. A vacina mostra uma redução de 91% nos casos graves e 100% de proteção contra a hospitalização em decorrência da dengue.
Na primeira fase de vacinação, serão distribuidas 204,1 mil doses entre as três cidades. Botucatu receberá 80 mil doses, Maranguape 60,1 mil doses e Nova Lima 64 mil doses. Essa quantidade é considerada suficiente para vacinar em massa a população-alvo nessas localidades.
Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua disponível na rede pública a vacina japonesa, que requer duas doses. Inicialmente, essa vacina estava disponível apenas em municípios prioritários, mas agora pode ser encontrada em todo o Brasil, em mais de 5.000 cidades.
A adesão à vacina da Takeda, utilizada para esse público, tem sido baixa, levando a cidade de São Paulo a implementar uma busca ativa por crianças e adolescentes que ainda não foram vacinados. O secretário afirmou que a baixa adesão é um reflexo do fato de a vacina exigir duas doses. Os dados mostram que, enquanto a primeira dose alcança um bom número de vacinados, a segunda dose mostra uma queda de quase 50% nesse número.
A vacina do Butantan será destinada a outras faixas etárias de 15 a 59 anos, conforme as orientações aprovadas pela Anvisa. Com a chegada de novas doses, a imunização de profissionais da saúde que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em fevereiro. Está prevista a distribuição de cerca de 1,1 milhão de doses para médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.
O Ministério da Saúde informou que a vacinação do público geral será implementada gradualmente, conforme a disponibilidade de doses. A parceria entre o Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines permitirá ampliar a produção da vacina, com a expectativa de que a capacidade de produção aumente em até 30 vezes nos próximos meses.

