Líderes europeus criticaram as ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao controle da Groelândia, descrevendo sua postura como “neocolonialismo”. Essa declaração ocorreu em resposta a ameaças de Trump de tomar o controle da ilha, que é um território autônomo da Dinamarca. O presidente francês, Emmanuel Macron, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, destacou que a prioridade deve ser o respeito, e não a agressão. Ele mencionou que neste momento não é aceitável um novo imperialismo e criticou a violência verbal de Trump, que anunciou tarifas sobre países que se opusessem à tentativa de anexação da Groelândia.
Macron afirmou que os EUA estão tentando enfraquecer a Europa, impondo “concessões máximas” e tarifas que ele considera inaceitáveis, especialmente quando usadas como pressão contra a soberania territorial. O presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou, considerando errôneo o anúncio de Trump sobre a imposição de uma tarifa de 10% sobre as importações de países como Dinamarca, Noruega e Suécia, caso não aceitassem suas demandas.
Von der Leyen lembrou que, no passado, EUA e União Europeia estabeleceram um acordo comercial, e que é fundamental respeitar compromissos. A ideia de penalizar países europeus é algo que pode deteriorar as relações entre aliados, um ponto que seus colegas líderes também enfatizaram. O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, destacou que a Europa está em um ponto crítico e que ações tomadas por Trump podem fazer com que o continente perca sua dignidade.
Trump intensificou sua retórica em relação à Groelândia, afirmando que o país deve ser controlado “de alguma forma”. Recentemente, ele compartilhou em redes sociais uma mensagem afirmando que a Groelândia é crucial para a segurança nacional dos EUA. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a possibilidade de uso de força militar é improvável, mas não pode ser descartada, ressaltando que a Groenlândia faz parte da OTAN e isso poderia ter implicações para a segurança internacional.
Os comentários de Trump provocaram reações intensas e uma reconsideração nas relações comerciais entre a Europa e os Estados Unidos, levando muitos líderes a pensar em medidas de retaliação, incluindo um pacote de tarifas sobre importações americanas. A situação gerou um clima de preocupação em relação à aliança transatlântica, que tem sido um pilar da segurança ocidental por muitas décadas.
Além disso, a tensão crescente entre os dois lados também foi abordada por líderes como o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que enfatizou a necessidade de colaboração entre as potências médias do mundo para enfrentar os novos desafios da geopolítica global. Carney ressaltou que as regras que governavam a ordem internacional estão desaparecendo, o que exige uma adaptação por parte dos países afetados.
Esses desenvolvimentos ocorrem em um momento em que a União Europeia está avaliando sua presença militar no Ártico e a possibilidade de um investimento significativo na região da Groelândia, ao mesmo tempo em que busca garantir a soberania dinamarquesa. As forças armadas dinamarquesas, por exemplo, enviaram mais tropas para a Groelândia para participar de exercícios militares na região, destacando a necessidade de segurança no Ártico.
A situação continua a ser monitorada atentamente, com líderes europeus buscando um caminho diplomático para resolver as tensões sem escalar a crise.

