José Roberto de Castro Neves, advogado e autor, é conhecido como o maior colecionador de obras de William Shakespeare no Brasil. Em sua obra mais recente, “Shakespeare Ontem, Hoje e Amanhã e Amanhã, e Amanhã”, ele explora a importância do dramaturgo inglês e compartilha o que aprendeu ao longo de suas leituras.
Um dos temas centrais abordados é a nova adaptação cinematográfica de “Hamnet”, que está atraindo atenção mundial e já recebeu seis indicações ao Globo de Ouro. Este filme é baseado no best-seller de Maggie O’Farrell, que imagina a vida familiar de Shakespeare e como a perda de seu filho Hamnet pode ter influenciado a criação de sua famosa peça “Hamlet”.
A história gira em torno de Agnes, filha de uma bruxa, e Will, um tutor de latim sem recursos, que se apaixonam na Inglaterra do século 16. Juntos, eles formam uma família, mas sua felicidade é interrompida por uma doença devastadora.
Na adaptação, Will é interpretado por Paul Mescal, que retrata um Shakespeare angustiado, lidando com um pai abusivo e as dificuldades de ser um escritor. Sua identidade é apenas revelada mais tarde no filme, quando Agnes e sua família o buscam em Londres, onde ele trabalha em busca de reconhecimento.
Jessie Buckley, que vive Agnes, enfatiza que, apesar de não se focar nos detalhes históricos, procurou entender a essência da personagem. Para ela, o silenciar de Agnes tem suas próprias nuances, expressando-se através de gestos e emoções.
Chloé Zhao, a diretora do filme, também rompe com as normas históricas e busca uma versão mais moderna do dramaturgo. Em conversas com a imprensa, Zhao mostrou-se disposta a reinventar a imagem de Shakespeare, optando por um estilo visual mais atraente e contemporâneo.
Zhao é conhecida por seu estilo único e por criar uma atmosfera mágica em seus filmes. Ela faz uma conexão íntima com suas obras, que geralmente exploram temas de perda e identidade, fazendo um paralelo com sua própria vida. Recentemente, ela passou por uma separação pessoal, o que a fez refletir sobre suas experiências ao adaptar “Hamnet”.
O filme é descrito como uma experiência emocionante, especialmente em sua representação do Globe Theatre, onde as peças de Shakespeare eram apresentadas. Este ambiente se torna um espaço de epifania para Agnes, simbolizando a importância da arte em processar dor e perda.
Dessa forma, a adaptação de “Hamnet” não é apenas uma reinterpretação da vida do dramaturgo, mas também uma meditação sobre a transformação que a arte pode provocar na vida das pessoas, ligando passado e presente, dor e esperança.

