O economista italiano Carlo Pelanda, conhecido por suas análises e seu livro “L’Italia globale”, expressou confiança no futuro internacional da Itália e na sua participação em questões globais importantes. Durante uma conversa sobre as recentes missões da primeira-ministra Giorgia Meloni em Oman, Japão e Coreia do Sul, Pelanda ressaltou a importância da estratégia adotada pelo governo para aumentar a presença do país no cenário global.
Pelanda afirmou que a Itália precisa atuar de maneira “nacional” como um multiplicador de forças, especialmente em regiões estratégicas como o Indo-Pacífico e o Golfo. Ele destacou que o governo está se movimentando bem nesses contextos e espera que essa postura continue. A estratégia da Itália, segundo ele, é baseada em um modelo econômico de “Itália global”, que busca aumentar as exportações, uma necessidade considerando que não é viável, em um curto espaço de tempo, substituir o modelo exportador por um consumo interno mais robusto.
O economista fez uma comparação com a Alemanha, que possui maior espaço fiscal interno devido a um nível de endividamento mais baixo do que o da Itália. Ele sugeriu que a Itália deve investir mais em política externa para fortalecer sua posição no mercado global. O recente acordo preliminar com o Oman é visto como fundamental para estabelecer laços econômicos, mesmo com a instabilidade na região. A visita ao Japão, por sua vez, tem como objetivo consolidar uma parceria estratégica com o país asiático, focando também na colaboração industrial. Quanto à Coreia do Sul, Pelanda reconheceu que, embora não tenha uma agenda prioritária envolvendo o país, é importante para a lógica de aumentar parcerias globais.
Ele explicou que o modelo mercantil da Itália sempre buscou acordos, incluindo os voltados para pequenas empresas. Essa abordagem, antes tática, agora se tornou estratégica, e a Itália não está começando do zero. O modelo econômico italiano, historicamente voltado para o comércio internacional, agora se apresenta de forma mais estruturada.
Pelanda também discutiu o papel geopolítico do Oman, vizinho do Irã, que passa por um momento de fragilidade. A diminuição do poder do Irã oferece novas oportunidades para outras potências regionais, já que os Estados Unidos tradicionalmente usaram a ameaça iraniana para manter controle na região do Golfo. Assim, países como Turquia e Israel também estão buscando ampliar sua influência.
A importância do Indo-Pacífico foi ressaltada pela conexão entre o fortalecimento do mercado mediterrâneo e a interligação com essa região e o Atlântico Norte. Pelanda acredita que a estabilização das rotas marítimas, especialmente no Mar Vermelho, é crucial para o comércio. O Mediterrâneo poderá ser um mercado importante, mas isso depende da eficiência nas conexões marítimas.
Com relação ao Japão, que elevou suas relações com a Itália a um nível de parceria estratégica, Pelanda vê a possibilidade de maior colaboração em áreas industriais e financeiras. Também mencionou a necessidade de cooperação militar, uma vez que ambos os países enfrentam o desafio de demonstrar suas capacidades em um mundo em transformação. Embora a relação com a Austrália seja menos destacada, Pelanda reafirmou a importância de acordos comerciais na busca por diversificação de mercados.
A posição da Coreia do Sul, que é o principal mercado asiático para os produtos italianos, foi discutida sob a ótica da necessidade de diversificar as compras italianas em relação à China. A China exerce uma forte pressão sobre a Coreia do Sul, mas, conforme Pelanda, o foco da Itália continua a ser a parceria com o Japão.
Por fim, Pelanda expressou satisfação ao ver algumas de suas ideias do livro “Italia globale” sendo refletidas na política externa atual da Itália. Ele tem um otimismo renovado sobre o potencial do país no cenário internacional, embora reconheça que esse processo não será fácil e exigirá escolhas complexas, tanto em relação à União Europeia quanto aos Estados Unidos. A mudança na postura do governo italiano, visando uma atuação mais autônoma e forte no cenário global, é algo que ele considera positivo e essencial para o crescimento econômico da Itália.

