A indústria alimentícia tem dificultado o trabalho dos pais na educação alimentar de suas crianças, segundo Marion Nestle, uma renomada pesquisadora de nutrição dos Estados Unidos. Ela explica que a publicidade de produtos voltados para crianças muitas vezes promove alimentos ultraprocessados, prejudicando a formação de hábitos saudáveis. Durante uma palestra no Brasil, Marion, que tem 89 anos e é professora emérita da Universidade de Nova York, destacou a importância de ensinar os filhos a escolherem uma alimentação equilibrada.
Marion apontou que o consumo de alimentos considerados “de verdade”, que não passam por processamentos intensos, elimina a preocupação excessiva com a ingestão de vitaminas e minerais. Para ela, é suficiente ter uma variedade de alimentos minimamente processados. Ao avaliar a tradicional dieta brasileira, que inclui arroz, feijão, carne e salada, Marion elogiou a combinação, ressaltando seus benefícios nutricionais, e acrescentou que a quantidade consumida é um fator importante para a saúde.
A pesquisadora tem uma longa trajetória acadêmica e é autora de várias obras sobre nutrição, incluindo a análise da influência negativa da publicidade nos hábitos alimentares das crianças. Ela afirma que uma grande parte da obesidade infantil pode ser atribuída ao marketing de alimentos não saudáveis, que fazem as crianças acreditarem que precisam consumir produtos elaborados apenas para elas.
Marion Nestle também menciona que os ultraprocessados podem ser incluídos em uma dieta saudável, desde que consumidos em pequenas quantidades. Ela explica que enquanto os alimentos ultraprocessados são feitos para serem vistos como irresistíveis, uma alimentação baseada em alimentos menos processados leva a resultados de saúde mais favoráveis.
Ao discutir o impacto da publicidade e a necessidade de diversificação alimentar para as crianças, Marion reforçou que é essencial apresentá-las a diferentes texturas e sabores desde cedo. Isso inclui fazer com que as crianças também comam uma dieta similar à dos adultos, mas adaptada em porções menores e com menos adição de sal e açúcar.
A pesquisadora se mostrou positiva em relação a políticas que limitam a presença de alimentos ultraprocessados nas escolas, ressaltando a importância de reduzir o seu consumo geral, mas sem proibi-los totalmente. Isso permitiria um equilíbrio mais saudável na alimentação escolar.
Nestle também comentou sobre a recente popularização de medicamentos utilizados para o tratamento da obesidade, observando que essas drogas parecem reduzir a fome das pessoas e, como consequência, podem levar a uma diminuição na compra de alimentos ultraprocessados. Essa mudança no comportamento alimentar representa um passo positivo para a saúde pública.

