O Fórum Econômico Mundial de 2026, que acontecerá em Davos de 19 a 23 de janeiro, terá como tema principal “Um Espírito de Diálogo”. No entanto, a agenda do evento é fortemente influenciada pela figura de Donald Trump e por conflitos geopolíticos.
Cerca de 3.000 líderes de diversas áreas, incluindo política, economia e ciência, se reunirão para discutir questões críticas que impactam o futuro. Originalmente, o fórum foi concebido como uma plataforma para abordar as inovações econômicas e tecnológicas, mas agora, com o retorno de Trump à política, os interesses em torno de disputas geopolíticas são prioritários. Esse novo cenário tem uma relação direta com as preocupações enfrentadas pelos empresários.
Conflitos geopolíticos, como a disputa pelo território da Groenlândia entre os Estados Unidos e a Dinamarca, e ameaças de Trump a países europeus, como Alemanha, sobre a imposição de tarifas, estão dominando a conversa. Além disso, há um encontro programado entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para discutir possíveis caminhos para a paz com a Rússia. Enquanto isso, as tensões entre EUA e China continuam a se intensificar e o conflito no Oriente Médio permanece sem solução.
Para os empresários, isso significa que os riscos de guerras comerciais são considerados a maior ameaça à economia global, segundo relatório do WEF. As tarifas anunciadas têm um impacto direto sobre os exportadores europeus, pressionando as cadeias de suprimento e reduzindo a certeza em planejamento estratégico. A política não é apenas uma questão de fundo, mas se tornou central nas decisões de negócios.
Participarão do evento mais de 60 chefes de estados e cerca de 850 CEOs. A delegação suíça, incluindo o presidente Guy Parmelin, abordará temas como questões da Organização Mundial do Comércio, política europeia e assuntos financeiros. Contudo, a agenda de discussões é, em grande parte, definida pelos Estados Unidos, caracterizando Davos como “Little America”, conforme análise da mídia suíça. Com isso, a Europa tem se colocado em uma posição reativa.
Donald Trump estará acompanhado de uma comitiva influente, o que equivale a um redirecionamento da conversa em relação aos anos anteriores, que priorizavam questões como proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Agora, os interesses americanos estão em primeiro lugar, relegando a segundo plano discussões sobre desigualdade global e pobreza.
Mesmo assim, a inteligência artificial (IA) continua a ser um tema-chave na programação do fórum. Participarão representantes de grandes nomes da tecnologia, como Satya Nadella, da Microsoft, e Jensen Huang, da Nvidia. A discussão nesse campo foca em como regular a tecnologia. Enquanto a Europa busca estabelecer padrões com sua legislação sobre IA, o impulso para a inovação ainda é gerado principalmente por empresas dos EUA.
Mudanças tecnológicas estão transformando as operações comerciais, desde produção até marketing e atendimento ao cliente. Portanto, é fundamental que os empresários pensem em como incorporar a IA em seus processos e compreendam as implicações legais e éticas disso.
Mesmo que não esteja no centro da agenda oficial, a presença de CEOs de startups de IA sinaliza a importância desse setor. A maneira como a regulamentação sobre IA é formulada pode afetar a inovação de forma positiva ou negativa. Os pequenos negócios muitas vezes não têm os recursos necessários para cumprir certas exigências regulatórias, o que pode prejudicá-los em um ambiente de regras mais rígidas.
Oportunidades também estão surgindo em setores como a economia espacial e cibersegurança. A delegação suíça discutirá o desenvolvimento sustentável no espaço, que está se configurando como uma área relevante para empresários, incluindo satélites e turismo espacial. Com a crescente digitalização, a segurança cibernética é outra preocupação importante, já que ataques podem atingir tanto grandes corporações quanto pequenas empresas.
Em relação ao meio ambiente, a questão do clima continua na pauta, mas enfrenta críticas por falta de progresso. Investidores e consumidores buscam cada vez mais empresas que levem a sério suas promessas de sustentabilidade. Assim, quem não seguir com ações concretas em prol do meio ambiente pode perder a confiança do público.
Além disso, os riscos de guerras comerciais são apontados como a maior ameaça à economia global. As tarifas impostas pelos Estados Unidos afetam diretamente setores como automotivo e químico, e empresas menores que também operam globalmente sentem os efeitos. Para mitigar esses riscos, recomenda-se que empresários diversifiquem seus mercados e explorem novas parcerias.
O Fórum Econômico Mundial tem sido alvo de críticas por sua exclusividade, com algumas organizações afirmando que ele contribui para a desigualdade global. A participação é cara e muitos debates acontecem em sessões fechadas. Entretanto, a discussão em Davos continua relevante, pois permite entender tendências que poderão impactar os negócios.
Os desafios globais, impulsionados por conflitos e mudanças rápidas na tecnologia, exigem que os empresários estejam preparados para se adaptar. Acompanhando os debates e os temas abordados no Fórum, é possível antecipar mudanças e ajustar estratégias comerciais. Manter-se informado sobre as tecnologias emergentes e as mudanças políticas pode ajudar as empresas a não ficarem para trás em um mundo em constante transformação.

