Recentemente, o uso de uniformes pelos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) gerou debates acalorados em todo o país. Essas vestimentas se tornaram um símbolo das controvérsias ligadas às políticas de imigração e deportação durante o governo de Donald Trump. O assunto envolve questões complexas sobre autoritarismo versus respostas adequadas a uma situação considerada crítica por muitos.
Um dos elementos que têm chamado a atenção é o uso de máscaras por esses agentes. Enquanto alguns argumentam que as máscaras protegem os agentes de represálias, outros as veem como uma tentativa de encobrir suas identidades. Essa disputa sobre vestimentas reflete uma divisão maior na sociedade americana, especialmente em tempos de intensificação dos protestos em várias cidades, incluindo Minneapolis.
Em Minnesota, a tensão aumentou e manifestantes têm se confrontado frequentemente com os agentes do ICE. Um dos destaques desse cenário é o sobretudo verde-oliva utilizado por Gregory Bovino, responsável pelas operações da Patrulha da Fronteira. O casaco se sobressai em meio aos coletes táticos e jaquetas dos demais agentes e rapidamente se tornou um símbolo central nas discussões sobre os direitos humanos e a militarização da polícia.
O sobretudo tem uma longa história, sendo parte do uniforme de militares em guerras passadas. Sua associação com conflitos históricos, incluindo a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, é imediata para muitos, trazendo à tona imagens que não podem ser ignoradas. Embora muitos oficiais tenham usado esse casaco, ele é frequentemente relacionado ao Exército alemão da época de Adolf Hitler, resultando em comparações diretas com regimes opressivos. Para muitas pessoas, a aparência de Bovino ao usar o sobretudo remete a simbolismos de tirania e militarização.
O casaco foi objeto de polêmica no ano passado, quando foi utilizado por Bovino em operações nas cidades de Los Angeles e Chicago, incluindo um vídeo publicado pelo Departamento de Segurança Interna que o destacava. As críticas não tardaram a surgir, com associações frequentemente feitas ao regime nazista por parte de comentaristas e até mesmo políticos, como o governador da Califórnia, que alertou sobre a linguagem usada em tais comparações.
Em resposta às críticas, uma representante do Departamento de Segurança Interna defendeu o sobretudo como parte do “uniforme de inverno padrão” da Patrulha da Fronteira. No entanto, a controvérsia persiste, especialmente porque, apesar desse argumento, o casaco não é listado entre os uniformes oficiais mais recentes.
A principal crítica gira em torno do contexto em que Bovino usa o sobretudo e a imagem que isso evoca. Especialistas, como o professor Harold James, afirmam que, embora o casaco não seja o problema em si, sua utilização durante confrontos com a população levanta preocupações sobre a militarização das forças de segurança. O estilista destaca que o visual de Bovino, complementado por acessórios, pode ter a intenção de intimidar.
Além disso, a persistência de Bovino em usar o sobretudo, mesmo após as críticas, demonstra que ele e a administração Trump estão conscientes da forma como a vestimenta pode influenciar percepções e comunicação. Essa estratégia é comparável a outras escolhas de estilização no governo, que frequentemente empregam vestuário para sinalizar lealdade e força.
Bovino, em muitos aspectos, segue a linha de líderes como Kristi Noem, governadora da Dakota do Sul, que se apresentam em público vestindo uniformes que remetem ao trabalho e à missão do governo. Essa tendência de utilizar a aparência para transmitir uma mensagem clara e específica tem impactos diretos na forma como as ações do governo são percebidas pela população.



