A proposta é simples: 2026 deve ser o ano em que as pessoas dediquem mais tempo a atividades que realmente gostam. Em vez de se esforçar tanto para se tornar uma pessoa “melhor”, é importante focar em viver uma vida mais gratificante e envolvente. A ideia é deixar de lado as exigências excessivas impostas pela busca da perfeição e dedicar-se ao que traz prazer e satisfação.
Uma das principais objeções a essa proposta pode ser a sensação de que a rotina está tão cheia de obrigações que não há espaço para fazer o que se gosta. Muitas pessoas podem sentir, por exemplo, que estão sobrecarregadas com trabalho e responsabilidades, especialmente em tempos de insegurança econômica e avanços da tecnologia que ameaçam postos de trabalho. Há também quem se preocupe com suas falhas pessoais, como procrastinação ou hábitos alimentares ruins. Outros podem achar que é egoísta focar em si mesmo quando o mundo enfrenta desafios graves, como as mudanças climáticas e conflitos sociais. E há quem tema que, se se permitirem curtir mais a vida, acabem se tornando sedentários ou excessivamente distraídos com redes sociais.
No entanto, essas preocupações podem não ter fundamento. Focar mais em fazer o que se gosta pode, na verdade, melhorar a saúde mental e o bem-estar, além de reduzir a sensação de sobrecarga e contribuir positivamente para a sociedade.
É importante entender a lógica da abordagem tradicional sobre autoajuda e mudança de hábitos, que muitas vezes busca corrigir falhas pessoais, sugerindo um conjunto rigoroso de comportamentos que, se seguidos corretamente, poderiam tornar a pessoa mais aceitável socialmente. Essa estratégia pode virar um ciclo cansativo de luta interna, fazendo com que as pessoas se sintam constantemente insatisfeitas e desmotivadas.
Um exemplo prático é a dificuldade em reduzir o tempo gasto nas redes sociais. Para quem se vê sempre rolando distraidamente o feed, muitas tentativas de conter esse hábito acabam não funcionando a longo prazo. Embora haja aplicativos de bloqueio e regras pessoais, o que realmente funciona é se envolver em atividades tão interessantes que a ideia de checar o celular sequer passe pela cabeça. Muitas vezes, as melhores experiências de desconexão ocorrem quando se está imerso em uma leitura, conversa ou atividade ao ar livre.
Essa mentalidade pode ser aplicada em várias áreas da vida. Em vez de focar nas dietas restritivas, a pessoa pode descobrir novos estilos de cozinha que torne o ato de cozinhar prazeroso. Assim, quando chega aquele momento de vontade de beliscar algo não saudável, pode-se estar tão satisfeito com a comida saudável que a vontade desaparece. No lugar de fazer exercícios forçados, a busca pode ser por atividades físicas que já sejam divertidas e que exijam apenas um esforcinho a mais.
Contudo, é preciso ter cuidado para não criar planos excessivamente rígidos e punitivos que acabem por se tornar mais uma obrigação na lista de afazeres. O foco deve ser no prazer de fazer o que realmente gosta e não no peso de mais uma tarefa.
Para aqueles que se sentem sem tempo para se dedicar ao que gostam, é hora de repensar essa ideia. É natural que a vida moderna traga uma lista de afazeres infinita, mas adiar a diversão e a vivência plena só resulta em uma vida com muitas tarefas não realizadas. Além disso, muitas vezes, a sensação de sobrecarga não vem apenas da quantidade de obrigações, mas da falta de controle sobre elas. Incluir projetos que realmente interessam pode ajudar a restaurar um senso de autonomia e satisfação.
Não se deve temer que priorizar o que se gosta levará a um comportamento irresponsável ou isolado. Ter esse receio pode refletir uma visão negativa de si mesmo, sugerindo que é preciso um controle rígido para não se tornar uma pessoa desprezível. O contrário pode muito bem ser verdade: ao dedicar-se a atividades gratificantes, pode-se descobrir o prazer de estar em forma, as alegrias de relações interpessoais saudáveis e a oportunidade de contribuir para o bem-estar coletivo.
Por fim, a reflexão mais profunda sobre o sentido da vida é essencial. Viver plenamente envolve fazer o que nos faz sentir vivos agora, não depois. É fácil cair na armadilha de achar que a felicidade deve ser adiada até resolver todos os problemas da vida. Porém, a realidade é que o presente é o momento que realmente conta. Se você deseja fazer algo significativo, é necessário agir antes de sentir que todas as outras questões foram resolvidas.
Os estudos na área de psicologia infantil, como os famosos “experimentos do marshmallow”, mostram que ter disciplina é importante, mas não há recompensa por acumular gratificações adiadas. Em algum momento, é preciso “comer o marshmallow,” ou seja, aproveitar a vida. Isso pode incluir a dedicação a hobbies, atividades criativas, amigos ou até mesmo engajamento na comunidade. Cada um precisa descobrir, através de uma reflexão honesta, como passar mais tempo em 2026 fazendo o que realmente deseja. O mundo precisa de pessoas que se sintam vivas e felizes, e essa busca deve começar agora.



