A Petrobras anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, que entrará em vigor na próxima terça-feira, 27. Esse movimento, embora esperado pelo mercado, ocorre em um cenário onde os preços no Brasil ainda estão elevados em comparação aos internacionais. Especialistas consultados pelo sistema de notícias em tempo real Broadcast indicam que esse ajuste pode levar a uma leve diminuição nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no curto prazo.
Desde a decisão da Petrobras de abandonar a Paridade de Preços Internacionais (PPI) em maio de 2023, a empresa tem adotado uma estratégia comercial que busca minimizar a transferência das oscilações do petróleo para o mercado interno. Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, ressaltou que a diferença entre o preço praticado pela Petrobras e o valor de importação chegou a ultrapassar R$ 0,40 por litro em janeiro, caindo para R$ 0,24 na última sexta-feira, 23, apesar de preocupações com a oferta proveniente do Cazaquistão e das condições climáticas nos Estados Unidos.
O Itaú BBA classificou o anúncio como neutro, embora a magnitude do corte tenha ficado abaixo das expectativas prévias. De acordo com as análises, os preços internos devem continuar cerca de 5% acima da PPI, uma redução em relação ao índice superior de 10% observado anteriormente. Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, também notou que o corte não foi artificial e que havia margem para essa diminuição.
A expectativa de redução dos preços da gasolina foi reforçada pelo leilão da companhia na semana passada, que ofereceu um lote de gasolina A com um desconto inicial de R$ 0,26 por litro em relação ao preço vigente.
### Efeitos da Redução
A diminuição de aproximadamente R$ 0,14 por litro nos custos iniciais da gasolina pode aliviar a pressão sobre a cadeia de combustíveis, de acordo com Fabio Oiko, especialista em renda variável da Ável Investimentos. Ele explica que, embora o preço final nas bombas dependa de impostos, margens de distribuição e outras despesas, essa medida contribuirá para reduzir o custo marginal do produto.
Gabrielle Moreira, responsável pela área de combustíveis da consultoria Argus, observa que a decisão da Petrobras também pode impactar as cotações do etanol, especialmente com o início da safra de cana-de-açúcar em abril. A expectativa é que essa safra priorize a produção de etanol, aumentando sua competitividade no mercado interno.
No contexto macroeconômico, a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis e as condições econômicas atuais sustentam a justificativa para o corte. Essas condições deverão diminuir a demanda por produtos importados.
A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, ressaltou que o repasse dos cortes nas refinarias para o consumidor final tem sido parcial, o que pode limitar o efeito sobre a inflação. No entanto, há espaço para uma revisão nas projeções do IPCA para fevereiro e março. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a expectativa é que a taxa básica de juros permaneça inalterada, mas a decisão da Petrobras pode sinalizar um tom mais acomodatício, possivelmente abrindo espaço para flexibilização monetária em março de 2026.
Por fim, Malek Zein, analista de ações da Suno Research, comentou que, se o preço do petróleo se estabilizar em torno de US$ 65, uma nova alta nos preços da gasolina não pode ser descartada, destacando que, apesar de não haver uma obrigação formal, a Petrobras tende a seguir a paridade internacional, o que é considerado positivo.



