O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL, se pronunciou nesta sexta-feira sobre uma decisão da Polícia Federal que determinou seu retorno ao cargo de escrivão da corporação. Eduardo havia se licenciado do cargo para assumir o mandato parlamentar, que foi cassado devido a faltas. Atualmente, ele está nos Estados Unidos e afirmou não ter “condição de voltar ao Brasil agora”. Ele deixou claro que não entregará sua posição na Polícia Federal “de mãos beijadas”.
Eduardo expressou sua determinação em lutar para manter seu cargo. Ele destacou que se esforçou para ser aprovado no concurso que o tornou escrivão. A decisão que ordena seu retorno ao cargo foi publicada no Diário Oficial da União e é assinada pelo diretor substituto de gestão de pessoas da PF, Licinio Nunes de Moraes Netto.
A nota menciona que o retorno de Eduardo à Delegacia da Polícia Federal em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, será feito “para fins exclusivamente declaratórios e de regularização da situação funcional”. Conforme o documento, a ausência não justificada dele pode levar a sanções administrativas. O ex-parlamentar teve seu mandato cassado no dia 18 de dezembro, através de atos administrativos, sem votação em plenário. Ele não estava presente no Brasil desde fevereiro de 2025, tendo perdido o cargo por não comparecer à maioria das sessões da Câmara dos Deputados.
Eduardo também enfrenta acusações no Supremo Tribunal Federal relacionadas ao crime de coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República o acusa de ter permanecido nos EUA para pressionar o STF antes de um julgamento importante, que condenou seu pai, Jair Bolsonaro, por tentar realizar um golpe de Estado. O ministro Alexandre de Moraes, em referência às ações de Eduardo, afirmou que houve uma articulação para impor sanções do governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
Além disso, em setembro de 2025, a PF iniciou um processo administrativo para investigar Eduardo por sua atuação nos EUA e sua possível contribuição para a imposição de sanções ao Brasil. Essa representação foi feita por Guilherme Boulos, que na época era deputado federal.
Nos últimos meses, Eduardo se envolveu em polêmicas ao criticar e ameaçar publicamente delegados da Polícia Federal. Em uma live, ele fez ameaças à corporação após uma operação que envolveu seu pai. Ele especificamente atacou o delegado Fábio Shor, que é o responsável por vários inquéritos relacionados a Jair Bolsonaro. A diretoria da PF considerou estas ameaças uma tentativa covarde de intimidação.
As declarações de Eduardo provocaram reações da Polícia Federal, que informou que medidas legais seriam tomadas em resposta. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviou os vídeos das ameaças para investigações pela Polícia Judiciária, ressaltando a seriedade das acusações feitas pelo ex-parlamentar.



