O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira, 3 de outubro, a atuação técnica do Banco Central (BC) na condução da política monetária, ressaltando a pressão constante que a instituição enfrenta de diversos agentes econômicos. Em entrevista à Rádio Bandnews, Haddad se manifestou sobre questões como a liquidação do Banco Master, apontando que a condução da política monetária ocorre em um ambiente repleto de desafios.
“O Banco Central é um órgão técnico que, dificilmente, deixará de atuar dessa forma, devido às pressões, legítimas e ilegítimas, que estão sempre presentes. Essa condução ocorre em um cenário de intensa pressão”, afirmou o ministro. Ele também caracterizou a situação como bastante tensa.
Haddad expressou surpresa diante de uma suposta “reação orquestrada” após o vazamento sobre a possível indicação do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tomou uma decisão acerca das novas indicações para a instituição.
Ao longo da entrevista, o ministro enfatizou que não pretende se aprofundar no tema das indicações ao Banco Central, uma vez que essa é uma prerrogativa do presidente da República. No entanto, ele recordou que já enfrentou críticas, especialmente vindas da Faria Lima, em relação ao seu nome e ao de Gabriel Galípolo, cotado para a presidência do BC.
Sobre a política monetária, Haddad observou que diferentes setores, como acadêmicos, mercado e governo, possuem opiniões divergentes sobre a taxa Selic, que muitos consideram elevada. Para ele, enquanto o mercado pode solicitar um aumento nos juros, a sociedade também pode argumentar que a situação financeira “está amarga demais”.
Haddad ressaltou ainda que o Banco Central busca agir da melhor forma possível, e que há um consenso de que a intenção da instituição durante seu mandato é positiva. O ministro reiterou a importância da harmonização entre política fiscal e monetária, e ponderou que a Selic elevada, atualmente em torno de 15%, não está diretamente relacionada ao déficit primário, lembrando que essa taxa foi reduzida em 70% nos últimos dois anos.



