O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou um aumento de 12,6 pontos em janeiro, atingindo 117,1 pontos. Este é o maior patamar desde abril de 2025. Na análise da média móvel trimestral, o indicador avançou 2,7 pontos, totalizando 109,7 pontos.
A economista do FGV Ibre, Anna Carolina Gouveia, explicou que o aumento do IIE-Br em janeiro está associado ao crescimento das tensões geopolíticas e geoeconômicas globais. A análise de termos utilizados em artigos e notícias relacionados à incerteza revela uma forte conexão com a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.
Além disso, Gouveia destacou que as políticas tarifárias unilaterais adotadas pelo governo norte-americano e o agravamento das relações com líderes europeus, devido a declarações sobre a Groenlândia, ampliaram o cenário de instabilidade mundial ao final do mês.
Esses fatores, segundo a economista, resultaram em um aumento considerável da incerteza global, refletindo-se no componente de Mídia do IIE-Br, que alcançou o maior nível desde 2021. Por outro lado, crises relacionadas ao Banco Master também contribuíram para o aumento da incerteza fiscal no Brasil. O componente de Expectativas, contudo, apresentou uma leve queda, indo para 88,4 pontos, após cinco meses consecutivos de recessão, ao retirar 0,2 ponto do IIE-Br.
Gouveia prevê que a incerteza deve permanecer elevada nos próximos meses, influenciada pela dinâmica das tensões internacionais e pela proximidade das eleições presidenciais brasileiras.
Em resumo, os componentes do IIE-Br apresentaram variações significativas:
– O componente de Mídia subiu 14,7 pontos, atingindo 122,5, o maior nível desde novembro de 2021.
– O componente de Expectativas teve uma queda de 0,8 ponto, refletindo a incerteza sobre previsões econômicas para o próximo ano.



