O Brasil mantém o segundo maior juro real do mundo, mesmo após uma leve diminuição em relação a dezembro de 2022. Nesta quarta-feira, 28 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, resultando em um juro real de 9,23%, que é a taxa excluindo a inflação.
Esses dados foram divulgados em um levantamento da MoneYou e Lev Intelligence, conduzido pelo economista-chefe Jason Vieira. O estudo abrange as 40 maiores economias do planeta. Em dezembro passado, o juro real brasileiro era de 9,44%, e em novembro, de 9,74%.
Recentemente, a Rússia assumiu a liderança do ranking com um juro real de 9,88%, superando a Turquia, que anteriormente ocupava a primeira posição.
Considerando as taxas nominais, a Selic de 15% posiciona o Brasil em quarto lugar no ranking mundial, atrás da Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (16%). O Brasil ainda supera a Colômbia (9,25%), o México (7%) e a África do Sul (6,75%).
A classificação do juro real não mudaria, mesmo que o Copom tivesse decidido reduzir a Selic em 0,25 ou 0,50 ponto percentual. Vieira havia previsto uma probabilidade de 80% de manutenção da taxa na reunião atual, com 10% de chance de um corte e 10% de aumento.
A seguir, veja a tabela com os maiores juros reais mundiais:
| Posição | País | Juro Real |
|---|---|---|
| 1 | Rússia | 9,88% |
| 2 | Brasil | 9,23% |
| 3 | Argentina | 7,63% |
| 4 | Turquia | 6,45% |
| 5 | México | 5,39% |
| 6 | África do Sul | 4,64% |
| 7 | Colômbia | 4,22% |
| 8 | Filipinas | 3,41% |
| 9 | Indonésia | 3,31% |
| 10 | Índia | 3,06% |
O economista Jason Vieira ressalta que o cenário econômico é repleto de incertezas devido aos gastos governamentais e suas implicações fiscais. Embora a inflação tenha apresentado alívio em diferentes setores, as pressões inflacionárias ainda permanecem uma preocupação para o Copom.
Em uma análise mais ampla, Vieira observa que, entre 165 países, 72,12% optaram por manter as taxas de juros, 7,27% aumentaram e 20,61% cortaram. Em relação aos 40 países analisados, 67,50% mantiveram as taxas, enquanto 2,50% elevaram e 30% cortaram.



