O Brasil registrou a criação de 1,3 milhão de empregos em 2023, de acordo com o último relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), publicado pelo Ministério do Trabalho. Este resultado representa o menor aumento no mercado de trabalho desde o início da pandemia e revela uma queda na geração de empregos em meio à desaceleração econômica e às medidas de aperto monetário aplicadas pelo Banco Central para conter a inflação.
A taxa de crescimento foi de 2,71% em comparação ao estoque de empregos de 2024, um desempenho consideravelmente inferior aos 1,7 milhão de vagas criadas em 2022, que correspondia a um crescimento de 3,69%.
Ainda que Houvesse expectativa de desaceleração, a geração de empregos no mês de dezembro não atendeu às previsões do mercado. Janaína Feijó, pesquisadora do FGV Ibre, destaca que o 2024 mostrava um mercado de trabalho resiliente, mesmo com os juros aumentando até o atual patamar de 15% ao ano.
O cenário de dezembro, conforme analistas, aponta para um efeito mais robusto da política monetária em relação ao mercado de trabalho. A pesquisadora observa que a alta taxa de juros desestimula novas contratações, desviando investimentos para outras áreas mais rentáveis. Em dezembro, muitas empresas passaram por ajustes, resultando em um saldo negativo superior ao esperado.
Os setores que mais contribuíram para a diminuição no número de vagas foram indústria e comércio, que apresentaram uma desaceleração consistente em suas operações ao longo de 2025. Feijó menciona que, desde agosto e setembro de 2025, o desempenho da indústria já era preocupante, mesmo com a mitigação dos efeitos de tarifas elevadas.
A pesquisadora reforça que os efeitos da política monetária se refletem mais rapidamente no Caged do que na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), pois o Caged analisa os dados mensalmente e foca nas vagas formais. Isso pode resultar em uma aparente discrepância na próxima divulgação da taxa de desemprego, que deverá mostrar níveis baixos, conforme previsto pelos analistas.
Para 2026, há uma expectativa de que o mercado de trabalho continue a sentir os efeitos dos juros altos, mas fatores como estímulos fiscais no primeiro semestre e eventos como a Copa do Mundo e as eleições podem trazer um impulso à economia. André Valério, economista sênior do Inter, reforça que a situação atual é um reflexo das políticas monetárias e sugere que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode iniciar cortes de juros em março, dependendo da evolução da desaceleração econômica.



