A recente liquidação extrajudicial da Will Financeira trouxe preocupações e especulações nas redes sociais sobre a possibilidade de outros bancos digitais também enfrentarem dificuldades financeiras. Entre os mais mencionados está o Nubank, que conta com uma base de clientes superior a 112 milhões.
No entanto, especialistas em finanças destacam que a situação do Nubank é bem diferente da da Will Financeira. O advogado Rafael Mortari, membro da Mortari Bolico Advogados, explicou que o Nubank apresenta uma operação muito mais transparente e segura em comparação ao banco que acabou de ser liquidado. Mortari afirmou que os dois casos são incomparáveis.
O Nubank, por meio de um comunicado oficial, desmentiu os rumores de falência, enfatizando ser a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes e uma das que registra menos reclamações.
Para entender melhor a situação, é importante esclarecer o que ocorreu com a Will Financeira. O banco estava sob a holding Master, que foi alvo de uma investigação da Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta em novembro do ano passado. Na mesma data, o CEO da Master foi preso e o Banco Master foi liquidado, devido a uma grave crise de liquidez. Após esse evento, o Will Financeira conseguiu continuar operando temporariamente sob a supervisão do Banco Central.
Entretanto, as coisas mudaram quando o Will Financeira tornou-se inadimplente com a Mastercard no dia 19 de janeiro de 2026, perdendo assim sua operação de cartões. Com a falta de interessados em adquirir o banco e a propriedade dos ativos, o Banco Central decidiu liquidar o Will para proteger os credores.
Em contraste, o Nubank funciona independentemente e não está atrelado a nenhum conglomerado que possa afetar a sua saúde financeira. Mortari observa que o Nubank é a principal operação de sua estrutura e não está em risco de ser puxado para baixo por problemas de outras empresas, como ocorreu com a Will.
Além disso, o Nubank é uma empresa de capital aberto listada na Bolsa de Nova York e deve seguir rigorosos padrões de transparência, o que inclui relatórios periódicos sobre sua situação financeira. No último trimestre de 2025, o Nubank reportou uma receita de 4,2 bilhões de dólares e um lucro líquido de 783 milhões de dólares. O CEO da Boost Research, André Franco, ressaltou a solidez do Nubank, afirmando que não faz sentido compará-lo a outras fintechs que enfrentam dificuldades.
O Nubank mantém um nível de liquidez superior ao exigido pelo Banco Central, o que significa que possui reservas suficientes para lidar com possíveis perdas. Recentemente, a empresa anunciou planos para buscar uma licença para operar formalmente como um banco, o que trará novas exigências de segurança.
Os especialistas também alertam os clientes sobre a necessidade de pesquisar e avaliar a segurança de instituições financeiras. O economista Fábio Murad observou que fintechs menores enfrentam desafios importantes, principalmente aquelas que operam com modelos de negócios de alto risco ou que dependem de poucos investidores.
Em relação a investimentos, uma rentabilidade muito acima da média do mercado pode ser um sinal de alerta, pois juros excessivos podem indicar dificuldades de captação de recursos por parte da instituição. Mortari e outros especialistas enfatizam a importância de se manter bem informado sobre a saúde financeira dos bancos e fintechs com os quais os clientes trabalham, destacando que o crescimento rápido sem transparência e a dependência de capital de curto prazo devem ser monitorados de perto.



