O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre as importações de oito países europeus: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, a partir de 1º de fevereiro de 2024. A tarifa deverá ser elevada para 25% em 1º de junho e mantida até que um acordo de compra da Groenlândia seja alcançado.
O banco Goldman Sachs ressalta que a implementação dessas tarifas é incerta. Caso sejam aplicadas, as tarifas afetariam os Estados-membros da União Europeia, que correspondem a 270 bilhões de euros em exportações anuais para os EUA, o que representa cerca de metade do total das exportações da UE para o país.
O impacto potencial das tarifas sobre o PIB desses países pode ser significativo. De acordo com o Goldman Sachs:
- As exportações afetadas poderiam representar de 3% a 3,5% do PIB da Alemanha, Holanda e Finlândia, se consideradas uma tarifa geral sobre todas as exportações.
- Essa taxa poderia variar de 1,5% a 2% do PIB se aplicada apenas a bens já sujeitos a tarifas recíprocas dos EUA.
- No total, o impacto sobre a zona do euro seria de 1% a 1,5% do PIB, enquanto no Reino Unido a redução seria de 1% a 2%.
Estima-se que uma tarifa de 10% poderia levar a uma redução de 0,1% a 0,2% do PIB real nos países afetados, com a Alemanha registrando um impacto de cerca de 0,2%. O efeito poderia ser ainda maior se as tarifas aumentassem para 25%, elevando a redução do PIB para 0,25% a 0,5%.
O Goldman Sachs também aponta que, na ausência de retaliação, os impactos inflacionários das tarifas devem ser limitados. Uma análise baseada na regra de Taylor sugere que os bancos centrais poderiam responder com taxas de juros ligeiramente mais baixas.
A União Europeia (UE) pode considerar três níveis de retaliação contra as novas tarifas dos EUA:
- Atraso na implementação do acordo comercial UE-EUA, uma vez que a redução das tarifas americanas precisa ser ratificada pelo Parlamento Europeu.
- Imposição de tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, utilizando listas já preparadas que incluem produtos como soja, motocicletas, suco de laranja, entre outros.
- Ativação do Instrumento Anticoerção (ACI), que permite ao bloco implementar várias medidas além de tarifas, como restrições de investimento e tributação sobre produtos e serviços digitais dos EUA.
Em relação ao Reino Unido, o Goldman Sachs considera que o país enfrentará um obstáculo maior para retaliar, prevendo uma postura mais voltada para o diálogo diplomático com os EUA.



