Na primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão repercutiu de maneira negativa entre segmentos do setor imobiliário que esperavam uma redução mais ágil nos juros. Associações representativas do setor, como a ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) e a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), têm visões divergentes sobre o impacto dessa manutenção.
A ABRAINC criticou a taxa, considerando-a “excessivamente elevada e incompatível com as necessidades de crescimento da economia brasileira”. Em contraste, a Abecip manifestou otimismo, prevendo um cenário mais positivo para o mercado imobiliário em 2026, conforme análise divulgada em 27 de janeiro.
O setor imobiliário, após um período de recuperação impulsionado por programas habitacionais, agora enfrenta dificuldades devido ao custo elevado do crédito. O programa Minha Casa, Minha Vida, reformulado, auxiliou na retomada das vendas, especialmente nas faixas de renda mais baixa, enquanto os segmentos de médio e alto padrão contaram com consumidores dispostos a investir.
Com a Selic mantida em patamares altos por tempo prolongado, o setor reivindica uma flexibilização monetária que possa facilitar novos investimentos e ampliar o acesso ao crédito. A ABRAINC enfatizou que a decisão do Copom prolonga um cenário de aperto monetário que já está impactando negativamente a economia e as contas públicas do Brasil.
Em nota, a ABRAINC destacou que aproximadamente 8,5% do PIB foram utilizados em 2025 para o pagamento de juros da dívida pública, colocando o Brasil na segunda posição mundial nesse quesito, de acordo com dados do FMI. A organização alerta que taxas de juros elevadas por períodos prolongados afetam diretamente setores que geram emprego, como a construção civil, e dificultam o crescimento do país.
A associação também avaliou que uma redução de 1 ponto percentual na Selic poderia resultar em uma economia anual entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões em despesas com juros, liberando recursos para investimentos e expansão do emprego.
Por outro lado, a Abecip mantém uma postura mais moderada, com a expectativa de um eventual corte na Selic ainda em 2026. Em comunicado enviado ao InfoMoney, sua presidente, Priscilla Ciolli, afirmou que a decisão de manter a taxa inalterada não modificou as projeções otimistas da associação para o crédito imobiliário, que estima um crescimento das concessões de financiamento de 16% ao longo do ano.



