O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu libertar Volney Vorcaro, proprietário do Banco Master, que havia sido preso após uma operação da Polícia Federal. A decisão da desembargadora Solange Salgado ocorreu depois que a defesa de Vorcaro apresentou um documento do Banco Central (BC) relacionado a uma reunião que ele teve com autoridades do banco, horas antes da sua prisão.
O documento menciona que Vorcaro informou ao BC sobre sua viagem a Dubai, nos Emirados Árabes, alegando que o propósito da viagem era um encontro com investidores estrangeiros. O ofício que relata a reunião foi assinado pelo chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza. No entanto, o BC esclareceu que esta informação foi dada verbalmente durante a videoconferência e que não houve qualquer correspondência escrita sobre a viagem ou a negociação.
A defesa usou o ofício do BC para argumentar que Vorcaro não tinha intenção de fugir, uma vez que havia comunicado sua viagem oficialmente. A desembargadora citou esse documento ao decidir substituir a prisão de Vorcaro e de outros quatro executivos por medidas menos severas, como uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaportes e proibição de contato com outros investigados.
Vorcaro participou da videoconferência na segunda-feira que antecedeu sua prisão e, no mesmo dia, foi detido no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Malta em um jato particular. Durante a reunião, ele discutiu ações para resolver a situação de liquidez do Conglomerado Master e mencionou tratativas com a Mastercard Brasil para liberar recursos financeiros bloqueados.
Em sua declaração, a desembargadora ressaltou que, dado o contexto, o risco de evasão poderia ser controlado por meio de medidas menos severas que a prisão. A decisão do TRF-1 reflete a complexidade do caso, que envolveu uma discussão mais ampla sobre pressão política relacionada ao Banco Master. Técnicos do Banco Central relataram à Polícia Federal que enfrentaram uma pressão sem precedentes para aprovar uma compra do Banco pelo Banco de Brasília (BRB) e para adiar a intervenção, o que indicou tentativas de proteger a instituição financeira.
A situação de Vorcaro e do Banco Master segue sob investigação, com novos desdobramentos aguardados por parte das autoridades. A defesa de Vorcaro solicitou informações detalhadas sobre a videoconferência ao BC, uma vez que tais detalhes não estão geralmente disponíveis ao público. A movimentação financeira do Banco Master, que inclui negociações com fundos de pensão, também está sob a mira das investigações.


