Um grande incêndio florestal na Patagônia argentina já devastou mais de 5.500 hectares, uma área equivalente a cerca de 7.700 campos de futebol. Bombeiros e moradores voluntários estão se esforçando para conter as chamas descontroladas que ameaçam pequenas comunidades na região. Essa tragédia acontece apenas um ano após os piores incêndios florestais que atingiram a Patagônia em três décadas, reforçando a pressão sobre os sistemas de combate a incêndios, tanto oficiais quanto comunitários.
As condições climáticas adversas, como a seca e os fortes ventos, têm agravado a situação. De acordo com autoridades locais, mais de 3.000 turistas foram evacuados, além de 15 famílias na cidade de Epuyén, que possui pouco mais de 2.000 habitantes. O fogo já destruiu mais de dez casas na área, fazendo com que moradores e donos de estabelecimentos tenham que se afastar de suas residências.
Flavia Broffoni, uma residente de Epuyén, compartilhou em suas redes sociais a desesperadora situação na qual vivem, ressaltando que novos focos de incêndio são reportados a cada poucos minutos. O incêndio começou na cidade turística de Puerto Patriada, aproximadamente 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires. Apesar dos esforços de centenas de bombeiros, a situação continua crítica, cercando a cidade e gerando grande preocupação entre os moradores.
O governador da província de Chubut, Ignacio Torres, pontuou que as próximas 48 horas serão decisivas para o controle do fogo, dado que as previsões climáticas não são animadoras. Uma operação de combate a incêndios envolve quase 500 pessoas, incluindo bombeiros, equipes de resgate e forças de segurança. Municípios próximos também aguardam reforços com o envio de mais bombeiros e aeronaves da província de Córdoba e do Chile.
Por outro lado, a situação enfrentada pelos bombeiros não é fácil. As mudanças climáticas, que incluem temperaturas mais altas e baixa umidade, agravam o problema, tornando o combate ao fogo mais desafiador. Muitos bombeiros trabalham em múltiplos empregos, uma vez que os salários foram cortados, resultando em valores entre 600 mil e 900 mil pesos argentinos, o que equivale a cerca de R$ 2.192 a R$ 3.288. Essa condição tem levado muitos profissionais a deixar a profissão.
Além do trabalho dos bombeiros oficiais, brigadas comunitárias têm atuado de forma vital no combate aos incêndios, realizando um trabalho fundamental na proteção de florestas e habitações. Entretanto, as brigadas enfrentam um intenso desgaste físico e mental devido à pressão e à urgência da situação. Com o fogo se comportando de maneira agressiva, a necessidade de colaboração entre as brigadas e o suporte da comunidade se torna ainda mais relevante.
Incêndios florestais também estão em curso em outras províncias da Patagônia, como Neuquén, Río Negro e Santa Cruz, com a região ainda se recuperando de incêndios que em janeiro e fevereiro de 2025 consumiram cerca de 32 mil hectares. O esforço coletivo e a solidariedade da população são essenciais para enfrentar essa crise ambiental.



