Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, a capital venezuelana, Caracas, testemunhou um evento que alterou a dinâmica geopolítica da América Latina. Em uma operação rápida, que durou menos de meia hora, forças americanas capturaram Nicolás Maduro, o então presidente da Venezuela. Ele foi retirado de um bunker fortificado e enviado para Nova York, onde enfrentará julgamento por narcoterrorismo.
As reações ao ocorrido foram imediatas. Diversos países e organizações internacionais criticaram a ação, acusando os Estados Unidos de golpe de Estado e de violação da soberania da Venezuela. Esses protestos, embora intensos, surgiram em um contexto já conhecido por muitos especialistas em política internacional. A movimentação das forças americanas não foi um fato inesperado, mas resultado de um longo processo observado por analistas nos meses anteriores.
A trajetória política de Maduro começou com a herança autoritária deixada por Hugo Chávez, que chegou ao poder em 1998. Chávez utilizou o sistema democrático de forma a desgastá-lo e promover um regime que reescreveu a Constituição, decorou o Judiciário e subjugou as Forças Armadas. Desde sua morte, em 2013, Maduro assumiu e aprimorou esse modelo autoritário. A situação se agravou com as eleições de 2024, que foram amplamente reconhecidas como fraudulentas. A oposição, liderada por María Corina Machado, foi silenciada, seus candidatos presos e jornalistas perseguidos. Nos últimos anos, aproximadamente 8 milhões de venezuelanos deixaram o país, resultando na maior crise migratória da história das Américas.
Durante esse período, Maduro também esteve envolvido em atividades relacionadas ao narcotráfico. Desde 2020, os Estados Unidos o indiciaram por laços com o Cartel de los Soles, indicando que a democracia na Venezuela tinha sido eliminada. Assim, surge um debate: seria golpe remover alguém que já havia comprometido a democracia no país?
Entretanto, embora Maduro seja o rosto mais visível do regime, a Venezuela tinha se tornado um importante ponto estratégico para adversários dos Estados Unidos, como Rússia e China. Enquanto a Rússia fornecia armamentos, a China estava integrada à iniciativa de infraestrutura Belt & Road, garantindo acesso a recursos naturais. Além disso, o Hezbollah mantinha presença na região, e Cuba prestava suporte a Maduro. Este cenário complexo fez da Venezuela uma peça fundamental em um jogo geopolítico maior.
A indignação internacional em grande parte se intensificou quando os Estados Unidos decidiram agir, levando críticos a questionar a legítima autonomia dos povos e o respeito às instituições, como as da ONU, que frequentemente se mostram ineficazes. A ação militar contra Maduro transmitiu uma mensagem clara sobre o poderio militar dos Estados Unidos e deixou claro que não existem garantias de segurança, nem mesmo para aqueles que se sentem protegidos em fortificações.
O desenrolar da operação refletiu a superioridade tecnológica militar dos Estados Unidos em um contexto de disputa por influência. Maduro, que estava sob proteção rigorosa, foi capturado com precisão e sem mortes do lado americano. A operação foi conduzida por um planejamento cuidadoso, com agentes já infiltrados na Venezuela.
Criticando a visão de que o petróleo seria o único motor do conflito, a situação mostrou que a energia é um recurso estratégico vital na era atual. O que estava em jogo não era apenas a riqueza petrolífera, mas a capacidade de prevenir que ela fosse usada contra os interesses americanos.
Este episódio representa um renascimento da Doutrina Monroe, que defende a oposição à influência de potências externas na América Latina. A partir de agora, alianças hostis na região não serão mais toleradas. A postura do Brasil, que criticou a ação militar e defendeu negociações, enfrenta desafios, visto que a ambiguidade do país em relação à Venezuela ao longo dos anos se mostra problemática.
Neste novo panorama, democracias que enfrentam problemas internos, como fraudes e repressões, devem atentar para o risco de um futuro incerto. O caso venezuelano serve como exemplo de um alerta sobre as consequências de um processo político deteriorado.
O ciclo político na América Latina mostra que a esquerda perdeu um de seus modelos principais, e esses movimentos certamente têm reflexo nas eleições brasileiras de 2026. Candidatos que compreenderem as novas dinâmicas internacionais terão uma vantagem significativa. O Brasil precisa encontrar um equilíbrio, reconhecendo a importância de sua posição no cenário global, evitando tanto a subserviência a potências como os Estados Unidos quanto a ilusão de uma neutralidade que não é viável. O contexto atual exige escolhas claras, pois a omissão pode levar à irrelevância no novo tabuleiro geopolítico. As movimentações já começaram e suas consequências serão inevitáveis.



