A ação da PRIO3, empresa do setor de petróleo, está sendo negociada a um preço mais alto em comparação aos anos anteriores. Esse aumento reflete a melhoria nas operações e nos campos produtivos da companhia. Contudo, os retornos para os acionistas estão mais voltados para a valorização das ações e o programa de recompra de ações, em vez de distribuição de dividendos.
Atualmente, a cotação da PRIO3 gira em torno de R$ 44, com um valor de mercado de aproximadamente R$ 38 bilhões. Nos últimos 12 meses, a empresa não distribuiu dividendos e seu retorno estimado por ação é de cerca de R$ 12. O índice de preço/lucro (P/L) da companhia está em torno de 3,6 e o preço sobre o valor patrimonial (P/VP) é de, aproximadamente, 1,3. A relação entre a dívida líquida e o EBITDA varia entre 1,8 e 2,3, e não há uma política formal de pagamento de dividendos.
Apesar da PRIO3 ainda ser negociada a um valuation considerado baixo, típico de empresas cíclicas no setor de petróleo, a companhia não tem antecedentes recentes de distribuição de lucros. O foco da empresa permanece na expansão da produção, com a consolidação de ativos e a entrada de novos projetos em operação, vislumbrando um aumento significativo na capacidade produtiva.
Atualmente, a produção média da PRIO é de cerca de 150 mil barris de petróleo por dia, com potencial para chegar a aproximadamente 200 mil barris diários. O custo de extração por barril é em torno de US$ 13, e a geração de fluxo de caixa livre anualizado está estimada em cerca de US$ 2 bilhões, considerando um preço do petróleo em torno de US$ 60 por barril. Esses números colocam a PRIO entre as empresas mais eficientes no setor no Brasil, com boas margens, mesmo em cenários menos favoráveis.
Para que a empresa possa oferecer dividendos mais altos, na casa dos dois dígitos, ela precisaria distribuir bilhões em proventos. Isso, por sua vez, competiria com a necessidade de diminuir a dívida, investir em novos campos, realizar aquisições estratégicas e manter o programa de recompra de ações. Recentemente, a PRIO tem demonstrado preferência por gerar valor através do crescimento e recompra de ações, ao invés de um compromisso rigoroso com a distribuição de dividendos.
A recompra de ações, que já foi aprovada pela companhia, vai permitir a retirada de milhões de ações do mercado. Essa estratégia aumenta o lucro por ação e diminui a diluição dos acionistas, ajudando a suportar a cotação no longo prazo. Financeiramente, o impacto da recompra pode ser similar ao pagamento de dividendos, mas sem as expectativas de compromisso em períodos de baixa na oscilação do preço do petróleo.
Diferentemente de empresas consolidadas, como a Petrobras, a PRIO ainda se encontra em um estágio de crescimento. Isso significa que cada real reinvestido tem o potencial de gerar retornos superiores à simples distribuição de lucros. Esse perfil de crescimento atrai investidores mais interessados na valorização do capital do que em rendimentos constantes.
Para 2026, as projeções para a PRIO3 incluem um aumento contínuo na produção, boa geração de caixa operacional, priorização na redução da dívida e investimentos, além de possíveis dividendos, mas sem uma política rígida estabelecida. A ideia de que a empresa se tornaria uma das maiores pagadoras de dividendos em 2026 dependeria de uma mudança significativa na sua estratégia, algo que atualmente não se vislumbra nos números.
A PRIO3 apresenta fundamentos robustos, eficiência operacional alta e um valuation atraente. No entanto, os dados indicam que o foco da empresa continua sendo o crescimento e a otimização de capital, em detrimento da distribuição agressiva de dividendos.



