Na primeira semana do seu último ano como jogador profissional de tênis, Stanislas “Stan” Wawrinka, de 40 anos, enfrentou o jovem jogador Flavio Cobolli, de 23 anos. O duelo, que durou quase três horas, teve um desenlace dramático quando Wawrinka teve a chance de garantir uma vitória importante, mas erros em momentos decisivos do tie-break final o fizeram perder essa oportunidade.
Wawrinka anunciou que 2026 será seu último ano nas competições, o que poderia ser visto como uma chance de jogar sem inibições e se entregar completamente às partidas. No entanto, ele reconhece que a realidade é mais complexa. Wawrinka expressou sua frustração ao afirmar que, embora deseje jogar de forma mais livre, a preocupação com o desempenho torna isso difícil.
A paixão de Wawrinka pelo tênis é sua principal força. Ao longo da sua carreira, ele conquistou três títulos de Grand Slam e uma medalha de ouro nas Olimpíadas em duplas, além do título da Copa Davis, ao lado do renomado compatriota Roger Federer. A maioria dos jogadores que alcançam sucesso semelhante encontra dificuldades para manter a mesma motivação quando suas habilidades começam a decline, mas não é o caso de Wawrinka. Com um ranking atual de 156, ele é o jogador mais velho entre os 1.000 melhores e frequentemente participa de torneios menores, mesmo assim, mantém uma motivação intensa. Ele disse que sempre amou sua trajetória no esporte e que tornar-se um jogador profissional foi o seu sonho.
Durante seus melhores anos, Wawrinka se destacou como um dos jogadores mais explosivos do tênis, capaz de surpreender qualquer adversário com a força e a precisão de seus golpes. Seu famoso backhand com uma mão é a combinação perfeita de elegância e intensidade.
Apesar de suas conquistas significativas, Wawrinka acredita que seu talento muitas vezes foi subestimado. Até os 28 anos, sua carreira parecia estagnada, apesar de ter estado várias vezes no top 20 do ranking. Na véspera do Australian Open de 2014, ele tinha um histórico preocupante contra grandes adversários: 0 vitórias e 12 derrotas contra Nadal, 1 vitória e 13 derrotas contra Federer, e 14 derrotas consecutivas para Djokovic. Esse cenário gerou muitas dúvidas, já que ele frequentemente perdia nas etapas iniciais dos torneios.
A mudança na trajetória de Wawrinka começou em uma noite memorável na quarta rodada do Australian Open de 2013, quando perdeu para Djokovic em um jogo de alta qualidade. Apesar da derrota, esse jogo lhe deu a confiança necessária para acreditar que podia competir contra os melhores. Ele reconhece que essa experiência foi um marco em sua carreira, pois fortaleceu sua determinação de se superar diariamente.
Conquistar três títulos de Grand Slam é uma façanha notável, especialmente em uma era dominada pelo “Big Three”. Wawrinka superou os melhores, derrotando Rafael Nadal na final do Australian Open de 2014, e vencendo Novak Djokovic nas finais do Open da França de 2015 e do US Open de 2016. Ele considera ter dado o seu melhor em cada oportunidade, sem deixar espaço para arrependimentos em sua próxima aposentadoria.
Wawrinka sempre viveu à sombra de Federer, e muitas vezes parecia derrotado antes mesmo de entrar em quadra contra ele. No entanto, ele busca ver o lado positivo dessa relação, valorizando a chance de aprender com um dos maiores.
Um episódio marcante ocorreu após uma semifinal entre Wawrinka e Federer, onde ele perdeu uma chance de fechar o jogo e acabou se envolvendo em uma situação tensa nos bastidores. Apesar desse incidente, pouco depois, os dois se reuniram para conquistar a Copa Davis em equipe, mostrando a importância de manter uma mentalidade positiva.
Recentemente, após um desempenho impressionante na United Cup, onde a Suíça ficou em segundo lugar, Wawrinka se prepara para seu último Australian Open, o mesmo torneio que lhe trouxe seu primeiro grande título. Embora o final da sua carreira não se desenhe como um conto de fadas, ele ainda experimenta tanto a dor quanto a alegria intensamente, o que em si é uma vitória após tantos anos.



