O novo filme “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” chega aos cinemas nesta quinta-feira, 22, trazendo uma continuidade tardia ao primeiro filme da franquia, lançado há 20 anos. O diretor e roteirista francês Christophe Gans retorna ao comando, mas o resultado não parece corresponder às expectativas após tanto tempo. Este novo longa, que se inspira no segundo jogo da série, apresenta uma trama que se desenrola em Silent Hill, uma cidade com uma aura sombria e cheia de mistérios.
A história gira em torno de James, interpretado por Jeremy Irvine, que está em uma busca desesperada por sua amada, Mary, interpretada por Hannah Emily Anderson. Ao contrário do filme de 2006, que focava na busca de uma mãe pela filha, esta nova obra parece se perder em meio a uma narrativa confusa. Para quem não está a par dos eventos e da mitologia dos jogos, fica difícil entender que “Regresso para o Inferno” não é uma continuação direta do filme anterior. A falta de contextualização sobre a independência das histórias deixa o público sem uma ligação clara entre os dois filmes, resultando em uma experiência que pode parecer estranha.
Ao longo do longa, James vaga pela cidade, relembrando momentos do passado com Mary e enfrentando diversos monstros que habitam Silent Hill. A narrativa não flui bem e as sequências são apresentadas como uma colagem de cenas que lembram a jogabilidade do videogame, mas sem a profundidade que se espera de um filme. O espectador tem a impressão de estar assistindo a uma reprodução de jogo, em vez de uma obra cinematográfica com emoção e desenvolvimento de personagens.
Embora a estética do cinema envolva elementos como trilha sonora e atuação, essas partes parecem se perder em meio a escolhas criativas questionáveis. O diretor Gans, que havia mostrado grande criatividade no primeiro filme, parece agora mais preocupado em simplesmente reproduzir o que já foi feito. O resultado é um filme que parece superficial e sem alma, sem entregar a tensão e o medo característicos da franquia.
A história de James com referências ao Mito de Orfeu, que envolve a tentativa de resgatar um amado do submundo, poderia ser uma construção interessante, mas acaba sendo apenas uma referência ao jogo original, que completou 25 anos. Quando os créditos finais aparecem, a sensação é de que Gans ofereceu uma versão resumida do videogame, reduzindo a narrativa a meros 100 minutos que não conseguem transmitir as emoções que a franquia era conhecida por evocar.
A produção do filme também enfrentou dificuldades. Ao contrário do primeiro filme, que teve o apoio de grandes estúdios, “Regresso para o Inferno” foi financiado de maneira independente. A produção envolveu desafios, com relatos de conflitos nos bastidores e um processo de edição que se estendeu até janeiro de 2025. Apesar dessas complicações, ainda é difícil justificar os erros cometidos na execução da história.
Por fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” apresenta-se como uma obra aquém das expectativas, indiscutivelmente um ponto baixo da franquia, gerando apreensão entre os fãs e um sentimento de insatisfação em relação ao legado que o primeiro filme construiu.



