O adiamento da assinatura do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul em dezembro passado gerou frustração, mas Bruxelas agora apresenta um cenário mais otimista para alcançar um acordo nesta semana. Durante as negociações, foram propostas garantias de compensações financeiras para os agricultores europeus, que se mostram o grupo mais reticente em relação ao pacto.
De acordo com informações do site Politico, os ministros da agricultura da UE foram convocados para uma reunião em Bruxelas na quarta-feira, marcada como um encontro de balanço em resposta aos protestos de agricultores europeus contra o Mercosul em dezembro.
A proposta de compensações, combinada com uma mudança na posição da Itália, agora favorável ao acordo, pode acelerar a votação prevista para sexta-feira, 9 de fevereiro. Esses pagamentos devem ser incluídos no próximo orçamento da UE, que abrange o período de 2028 a 2034.
Ainda segundo o Politico, é esperado que a Comissão Europeia emita uma declaração para tranquilizar os países que se opõem ao acordo. Funcionários que pediram anonimato indicaram que a declaração pode conter garantias relacionadas aos pagamentos aos agricultores europeus.
Caso esse cenário se concretize, a proposta terá o respaldo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que anteriormente havia se juntado às críticas de franceses, o que resultou na paralisação do acordo em dezembro.
Para a aprovação do acordo, a União Europeia requer uma maioria qualificada, ou seja, o apoio de 15 dos 27 países membros. Se tudo ocorrer conforme o planejado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai na próxima semana para assinar um acordo que, após mais de 25 anos de negociações, criará uma zona de livre comércio abrangendo mais de 700 milhões de pessoas e eliminará tarifas sobre 90% das exportações da UE.



