A Organização das Nações Unidas (ONU) projetou um crescimento de 2,0% para a economia brasileira em 2026, ano das eleições presidenciais no país. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2023, e indica uma desaceleração em relação a 2025, que deve registrar um crescimento de 2,5%.
Embora as expectativas para 2026 tenham sido mantidas, a ONU elevou a previsão para 2025 em 0,7 ponto porcentual. No entanto, o crescimento de 2025 também representa uma queda em relação a 2024, quando o Brasil teve um avanço de 3,4%.
A desaceleração projetada ocorre devido aos efeitos do aperto monetário implementado, que resultou em taxas de juros elevadas, afetando negativamente os investimentos. A ONU ressalta que uma postura fiscal “moderadamente expansionista” poderá ajudar a minimizar essa desaceleração.
Além disso, a ONU destacou que tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, de até 50% sobre diversas importações brasileiras, apresentam desafios adicionais, mas o impacto no Brasil será limitado, uma vez que os EUA representam apenas cerca de 12% das exportações brasileiras. A expectativa é de que a economia brasileira volte a acelerar com o próximo governo, com crescimento estimado de 2,3% em 2027.
No panorama regional, os dados indicam que o Brasil deverá apresentar crescimento superior à média da América Latina e do Caribe em 2025, que deve registrar um avanço de 2,4%. Entretanto, o Brasil poderá enfrentar uma expansão menor que a apresentada por outros países da região nos anos subsequentes.
Desafios Fiscais Persistem
A ONU alerta sobre os desafios fiscais enfrentados pelo Brasil, com a relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB superando 90% e alcançando 91,4% em 2025, em comparação com 87,3% em 2024. Esse patamar é superior à média dos países em desenvolvimento, que viu sua relação aumentar de 73% para 76,9%.
Recentes desvios do arcabouço fiscal, como isenções e despesas não planejadas, intensificam os desafios em reforçar a credibilidade fiscal, mesmo com um compromisso de médio prazo com a consolidação. A ONU não acredita que o Brasil conseguirá alcançar a meta de inflação de 3,0% em 2025, estimando um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,0%.
Embora a trajetória de inflação ainda permaneça acima da meta estabelecida pelo banco central, a ONU projeta uma redução gradual, com expectativas de 4,3% em 2026 e 4,0% em 2027.
Em termos de política monetária, o Brasil destacou-se como uma “exceção” no panorama de países em desenvolvimento, mantendo uma taxa de juros de 15% – a mais alta em duas décadas. Contudo, a expectativa é de que esse ciclo de aperto monetário se inverta em 2026, à medida que a inflação comece a moderar.
Além disso, a ONU reconheceu avanços no mercado de trabalho, com a redução da taxa de desemprego, que atingiu 5,2% em novembro de 2025, e o aumento no salário mínimo durante o ano. Essas melhorias são vistas como sinais positivos no cenário econômico brasileiro.



