No que foi considerado um dos anos mais desafiadores para o comércio exterior da China, consequência das tensões tarifárias com os Estados Unidos, o país alcançou em 2025 um superávit comercial histórico de US$ 1,2 trilhão, conforme dados da balança comercial divulgados em 14 de novembro. Essa marca, segundo o ING, equivale ao PIB de uma economia entre as 20 maiores globalmente.
Comparado a 2024, quando a diferença entre exportações e importações ficou abaixo de US$ 1 trilhão, o resultado de 2025 representa um aumento de 20%.
A China conseguiu esse desempenho mesmo diante dos atritos com o governo Trump por meio da diversificação de seus parceiros comerciais e de um foco maior na competitividade, com destaque para os bens de alta tecnologia nas exportações. Dados aduaneiros mostram que o país mantém laços comerciais com mais de 240 países e regiões, e em 190 dessas localidades houve crescimento nas exportações no último ano.
A estratégia de estreitar relações comerciais com países vizinhos também se destacou, especialmente nas vendas para nações da Nova Rota da Seda (“Belt and Road”), que cresceram 6,3% em relação ao ano anterior, totalizando 23,6 trilhões de yuans. Isso representa 51,9% do valor total do comércio exterior da China.
Considerando apenas os países do Sudeste Asiático (ASEAN), houve um aumento de 13,4% nas exportações em dólares. As vendas para a África cresceram 25,8%, enquanto para a Índia e a União Europeia, as altas foram de 12,8% e 8,4%, respectivamente. Na América Latina, o incremento foi de 7,4%. Entretanto, as exportações para o Japão apresentaram um crescimento modesto de apenas 3,5%.
As tarifas de importação implementadas pelo governo Trump, que resultaram em uma queda de cerca de 20% nas exportações para os Estados Unidos em 2025, tiveram um impacto considerável. As vendas para a Coreia do Sul também registraram uma leve retração de 1,1%.
Alta Tecnologia e Produtos Verdes
O superávit comercial da China em 2025 foi impulsionado por um aumento na produção e nas vendas externas de produtos de alta tecnologia, que cresceram 13,2%, totalizando 5,25 trilhões de yuans. Exportações de itens do “novo trio” — incluindo veículos elétricos, baterias de íon-lítio e produtos fotovoltaicos — tiveram um crescimento significativo de 27,1%.
Além disso, as exportações de produtos “verdes”, como turbinas eólicas, subiram 48,7% em 2025. Itens como semicondutores, navios e automóveis também mostraram crescimento, com aumentos de 26,8%, 26,7% e 21,4%, respectivamente.
Entretanto, as vendas de produtos com alta exposição ao mercado norte-americano enfrentaram desafios: as exportações de brinquedos caíram 12,7%, mobiliário diminuiu 6,1% e calçados encolheram 11,3%.
De acordo com o Global Times, devido a expectativas de crescimento mais otimistas nas exportações, o Goldman Sachs aumentou suas projeções para o crescimento real do PIB da China, estimando 4,8% para 2026 e 4,7% para 2027, superando as previsões anteriores de 4,3% e 4,0%.



