Durante sua visita ao Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar polêmica ao criticar a União Europeia e a OTAN, ao mesmo tempo em que anunciou intenções de novas tarifas comerciais. A viagem ocorre em um contexto de crescente tensão nas relações transatlânticas.
Trump, conhecido por suas declarações contundentes a respeito da Europa, já havia apontado os aliados europeus como aproveitadores que demandam da generosidade militar e econômica dos EUA. Agora, em um post no Truth Social, o presidente declarou que planeja impor tarifas de 10% ao Reino Unido e a outros sete países europeus, ligando essa ação às suas ambições sobre a Groenlândia. Essa medida pode danificar acordos anteriores estabelecidos com a UE e o Reino Unido.
O impacto das declarações de Trump foi imediato, com líderes da UE convocando uma cúpula de emergência para discutir possíveis retaliações. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que acompanhará o presidente em Davos, reforçou que a manutenção ou ampliação do controle dos EUA sobre a Groenlândia poderia aumentar a segurança do país, ressaltando a imagem de força que os EUA desejam projetar. “Os europeus projetam fraqueza; os EUA projetam força,” afirmou Bessent.
Na agenda de sua terceira visita a Davos como presidente, Trump deve abordar também sua proposta de habitação popular, uma estratégia para reforçar seu apoio político à medida que se aproximam as eleições legislativas. Embora tenha tentado promover um “diálogo construtivo” com a Europa em visitas anteriores, sua retórica recente prejudica uma trégua comercial estabelecida nos últimos meses.
Reações de líderes europeus não tardaram a surgir. O presidente francês, Emmanuel Macron, posicionou-se contra as ameaças tarifárias, enquanto a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, alinhada ideologicamente a Trump, defendeu a necessidade de diálogo e uma possível redução das tensões. O ex-vice-presidente Mike Pence também expressou preocupação sobre o impacto da retórica de Trump nas relações com a Dinamarca e outros aliados da OTAN, ao mesmo tempo em que apoiou a ideia de adquirir a Groenlândia.
Por fim, enquanto a Casa Branca não detalhou a base legal para as tarifas sugeridas e a possibilidade de sua implementação segue incerta, funcionários de alto escalão defendem que a estratégia pode ser uma forma de barganha nas negociações comerciais internacionais. O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, enfatizou a importância de se estabelecer um diálogo produtivo diante da situação.



