O frigorífico JBS (JBSS3) obteve a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para listar suas ações nos EUA. Em decorrência desse avanço, a empresa convocou uma Assembleia Geral Extraordinária, marcada para 23 de maio, onde os acionistas minoritários decidirão sobre a reorganização societária proposta. Após o anúncio, as ações da JBS apresentaram um aumento significativo, encerrando o dia com valorização de 6,38%, a R$ 47,34, sendo a maior alta do índice Ibovespa.
Analisando o impacto dessa operação, o Bradesco BBI classificou o ocorrido como um evento crucial para a mitigação de riscos. Recentemente, a abstenção do BNDES foi considerada o principal obstáculo à listagem, e agora a aprovação da SEC sinaliza um avanço significativo nesse processo.
Entretanto, apesar do crescimento nas ações, a JBS ainda precisa alcançar um aumento de 37% para igualar o múltiplo Valor da Firma (EV)/Ebitda com sua subsidiária Pilgrim’s Pride e mais que dobrar seu valor para se igualar à Tyson Foods em termos de avaliação. Os analistas preveem que a empresa poderá acelerar seu crescimento após a listagem, mas ressaltam que uma reavaliação das ações será necessária para acordos transformacionais.
O Bradesco BBI considera a JBS como a melhor opção do setor, fundamentando-se em seu custo de capital cada vez mais alinhado com os concorrentes americanos e os sólidos resultados esperados, impulsionados pelo crescimento dos spreads no mercado de carne de frango nos EUA. A instituição reiterou a recomendação de compra para as ações da JBS, estabelecendo um preço-alvo de R$ 48.
A XP Investimentos também destacou os benefícios da dupla listagem. Os analistas apontam que a JBS é negociada com um desconto significativo em relação aos seus pares, estimando um gap de valuation de 30% a 40% em comparação com a Tyson. Além disso, a dupla listagem deve ajudar a reduzir o custo de capital, reforçar a governança corporativa e aumentar a capacidade de investimento e crescimento da empresa.
Embora as ações da JBS sejam negociadas atualmente com múltiplos razoáveis — 5,3 vezes e 5,6 vezes EV/Ebitda e 6,3% e 4,3% de rendimento de fluxo de caixa para 2025 e 2026 — a XP previu uma reação positiva no pregão subsequente à Assembleia. Caso a proposta de dupla listagem seja aprovada, o Goldman Sachs acredita que a JBS estará mais próxima de alcançar seus objetivos de negociação nos EUA, o que pode resultar em uma valorização em relação aos seus concorrentes globais.
O Goldman acrescenta que, embora o evento possa provocar uma reprecificação positiva, a recomendação de compra não depende exclusivamente disso. Além de sua valorização atrativa, a JBS conta com uma demanda global consistente por proteínas, um mix diversificado de produtos e sólida geração de fluxo de caixa livre. O preço-alvo permanece em R$ 50,50.
Já o BTG Pactual salienta que a listagem nos EUA e a introdução de diferentes classes de ações proporcionarão à JBS uma nova capacidade de expansão. O banco prevê que a empresa utilizará essa nova estrutura para impulsionar seu crescimento e atingir metas mais ambiciosas. Após a listagem, uma nova era de crescimento deve se intensificar para a JBS, com uma reavaliação positiva das suas perspectivas.
A Genial Investimentos, por sua vez, considera que a migração da listagem primária reflete a internacionalização da JBS, cuja geração de Ebitda é amplamente oriunda de operações no exterior. A listagem nos EUA pode facilitar o acesso a fundos institucionais que atualmente investem apenas em mercados desenvolvidos, resultando em uma reprecificação estrutural que seria benéfica, especialmente considerando o múltiplo atual de 4,5 vezes EV/Ebitda em comparação com a Tyson (8,5 vezes) e a Pilgrim’s Pride (6,5 vezes).



