O recente confronto entre os Estados Unidos e a Venezuela gerou impactos significativos nas relações entre Pequim e Caracas, uma aliança que foi cuidadosamente construída ao longo de décadas. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, havia se encontrado com as autoridades chinesas algumas horas antes de ser preso em uma operação militar dos Estados Unidos, na qual elogiou o presidente chinês, Xi Jinping, como um “irmão mais velho” que traz uma mensagem poderosa para o mundo.
A China, que tem investido bilhões de dólares na Venezuela em troca de petróleo, foi pega de surpresa pelo ataque dos EUA. Estima-se que mais de 100 bilhões de dólares foram investidos ao longo dos anos em projetos de infraestrutura, como ferrovias e usinas de energia. Em 2022, aproximadamente 80% do petróleo venezuelano foi enviado para a China, embora isso represente apenas 4% do total das importações petroleiras da Venezuela. Portanto, o risco financeiro para a China é controlado, segundo especialistas.
A reação da China foi imediata, condenando veementemente a ação dos Estados Unidos. O ministério das Relações Exteriores chinês descreveu a operação como uma violação grave da soberania venezuelana e um ato de bullying por parte de Washington. Pequim enfatizou que todos os países têm direito a proteção sob as leis internacionais.
Além disso, a situação política europeia criou incertezas para os investimentos chineses na região. Há preocupações de que as atitudes agressivas dos EUA possam levar outros países sul-americanos a reconsiderar seu relacionamento com a China, o que poderia afetar a presença chinesa em um mercado considerado estratégico para Pequim, que depende da América do Sul para recursos naturais e alimentos.
A visita de Maduro a Pequim em 2023, quando ele e Xi Jinping estavam juntos, refletiu um estreitamento das relações que pode ser ameaçado por essa nova dinâmica. Enquanto a China busca manter suas relações amistosas e estáveis, a imprevisibilidade das ações dos EUA, especialmente sob a administração de Donald Trump, representa um desafio significativo.
A China vem promovendo uma estratégia de longa duração para conquistar a América Latina, apresentando-se como uma alternativa estável em comparação à agenda volátil dos EUA. Vários países na região já reconheceram a China em detrimento de Taiwan, que Pequim considera parte integral do seu território.
Diante do cenário atual, analistas sugerem que a capacidade da China de intervir na questão da Venezuela deve ser avaliada cuidadosamente, dado o risco de que suas ações possam ser mal interpretadas ou militarmente respondidas pelos EUA, à medida que este embate pela influência se intensifica. A situação se torna mais complexa, pois a China não apenas procura proteger seus interesses em um mercado crucial, mas também manter uma imagem de estabilidade diante das tensões globais.



