O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), um indicador antecipado do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma alta de 0,7% em novembro, superando as expectativas do mercado, que esperava um crescimento de 0,4%. Analistas destacam que a média móvel trimestral, que busca eliminar distorções, também revela um desempenho positivo na atividade econômica.
A divulgação dos dados pode impactar as expectativas em relação à redução da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para 27 e 28 de janeiro.
Setores em Destaque
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, salienta que os resultados contradizem o consenso sobre uma desaceleração da economia. Ao ajustar os números do agronegócio, o IBC-Br manteve a mesma alta de 0,7%, com crescimento impulsionado pela indústria (0,8%) e pelos serviços (0,6%).
André Valério, economista sênior do Inter, observa que a média móvel trimestral de novembro sinaliza um crescimento de 0,2%, marcando o quarto mês consecutivo de aceleração. “Após uma queda de 1,05% em agosto, o indicador avançou para uma alta de 0,2% em novembro”, detalha.
Devido às promoções típicas do final de ano, há a expectativa de que parte desses números possa ser “devolvida” nos dados de dezembro. Na opinião de Victal, “a incerteza reside na intensidade dessa devolução”.
| Índice | Variação mensal* | Variação trimestral** |
| IBC-Br | 0,7 | 0,2 |
| IBC-Br Agropecuária | -0,3 | 1,9 |
| IBC-Br Indústria | 0,8 | -0,8 |
| IBC-Br Serviços | 0,6 | 0,4 |
| IBC-Br Impostos | 1,1 | -0,4 |
| IBC-Br ex-Agropecuária | 0,7 | 0 |
**Setembro a Novembro
Fonte: Banco Central, dados dessazonalizados
Expectativas sobre o Corte de Juros
Gustavo Gonzaga, economista-chefe da Necton Investimentos, aponta que os resultados do IBC-Br indicam a presença de riscos inflacionários significativos. Embora as métricas acumuladas mostrem uma desaceleração, esta não é profunda. Segundo ele, uma redução na taxa de juros deve ocorrer em março.
Na mesma linha, Valério afirma que os dados recentes, junto com a inflação divulgada na semana passada, quase eliminam a possibilidade de um corte na Selic em janeiro. Ele também acredita que a decisão deve ser adiada até março.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, relaciona os dados do IBC-Br ao mercado de trabalho, observando que a atividade econômica está aquecida e a alta de emprego e renda deve continuar a nutrir a demanda, impactando a inflação, o que poderia resultar em juros mais altos.
Victal concorda e projeta que, considerando a incerteza em torno da atividade econômica, um corte em janeiro poderia ser precipitado, dadas as boas perspectivas observadas em novembro.
Projeções do PIB
As estimativas para o crescimento do PIB em 2025 ainda não foram divulgadas oficialmente. A Necton Investimentos projeta um aumento de 2,5%, enquanto a SulAmérica Investimentos prevê alta de 2,3%. O Inter, por sua vez, estima um crescimento de 2,1%.
A projeção do PIB no Boletim Focus desta semana é de 2,23%.



