No início de janeiro de 2026, um movimento de agricultores em Paris ganhou destaque, com diversas ações sendo registradas em resposta a questões que preocupam o setor agrícola francês. O governo e os manifestantes estão em rota de colisão, especialmente em relação ao tratado de livre comércio com o Mercosur.
Os agricultores, liderados por sindicatos como a Coordenação Rural, realizaram mobilizações que incluem a utilização de tratores para bloquear importantes vias da capital francesa. Com a participação de cerca de 2.200 agricultores e 625 tratores, as ações estão concentradas em 39 departamentos, com pontos de protesto em locais icônicos como a Place de l’Étoile e à frente da Assembleia Nacional.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, comentou que a manifestação em Paris não estava oficialmente decretada, o que a tornava ilegal. No entanto, ele optou por não dispersar os manifestantes e sugeriu que futuras discussões sobre o planejamento das manifestações deveriam ser mantidas com as autoridades competentes. Em outro ponto, ele revelou que 67 ações de protesto ocorreram em diversas localidades, destacando a insatisfação generalizada no setor.
A ministra da Agricultura, Annie Gennevard, também se pronunciou sobre a situação, afirmando que o “não” da França ao tratado com o Mercosur reflete um compromisso com os agricultores, que se sentem ameaçados por acordos que poderiam prejudicar o setor agrícola nacional. Ela abordou a necessidade de soberania alimentar e a urgência em proteger a diversidade e a qualidade da produção agrícola francesa.
Entre os líderes do movimento, Bertrand Venteau, presidente da Coordenação Rural, expressou a frustração dos agricultores com a falta de diálogo efetivo com o governo e a ausência de compromissos concretos que atendam às suas necessidades. Ele criticou a postura do governo ao desconsiderar as dificuldades financeiras que os agricultores enfrentam, com uma alta porcentagem das estruturas agrícolas em risco de falência.
Além disso, a preocupação com a negociação do Mercosur levou a FNSEA, principal organização agrícola do país, a convocar uma nova mobilização em Strasbourg caso o acordo seja assinado. O presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, enfatizou que a insatisfação dos agricultores é legítima e que espera respostas do governo.
Os protestos refletem uma série de questões que o setor agrícola enfrenta, incluindo as implicações econômicas de tratados internacionais e a necessidade de um diálogo mais eficaz com os representantes do governo. As ações em Paris continuam a ser um sinal visível da luta dos agricultores por reconhecimento e mudanças que ajudem a preservar a agricultura francesa.


